domingo, 28 de agosto de 2016

ADÃO E EVA


Adão e Eva

Quantas vezes eu morri à solidão de não tê-lo comigo envolto na densa paixão que alimenta minha pele, minha carne e a brancura dos meus ossos. Quantas noites insones a minha boca na secura dos teus beijos, fez os meus lábios enrijecidos... Ah, torturante ausência que me castiga como se a própria paixão fosse mais que o fogo, mais que o medo da própria morte no sangue esvaído a confessar-te amor em agonia e estertor. E ao inferno me recolhi, desorientada feito a serpente que não provou da maçã e se arrasta sangrando o ventre em solo inóspito. Quisera beber o suor da Medusa e adormecer em pedra sobre o leito da Terra a viver a tortura de não sermos um só.


para Odur



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

NEBULAE

NEBULAE

No princípio era a Luz!A deusa carregava em seu ventre a luz das estrelas___essência de todas as coisas forma e energia criadora.O equilíbrio era nas mãos femininas assim como os astros estão para o Sol____e aquela que ouve as lamentações também dança suavemente pelas nebulosas e deixa um rastro de poeira cósmica como um sopro de luz no berçário das estrelas...... eis a deusa, eis a Luz!



imagem: Carlos Zemek



O SONHO


O SONHO

...de todos os sonhos, há sempre um que nos liberta e nos dá asas para ultrapassar o grande abismo somente porque somos criaturas humanas que nalgum lugar, deixamos penduradas a nossa condição de anjos. O primeiro capítulo da vida é antes da estação dos sonhos, antes do nascimento das nossas asas e consequentemente antes do abismo. Os caminhos não se abrem depois desse abismo ____temos que fazê-los a partir de cada sonho e cada voo tem que ser sempre o primeiro.


imagem: Salvador Dalí



terça-feira, 2 de agosto de 2016

ELA É ASSIM


Ela é assim
...e ela é assim, um pé no futuro e o outro pé no passado. Gosta mesmo é de cozinhar, desde um bolo de macaxeira até uma bela galinha guisada com macarrão feito por ela mesma. Adora fazer esses mimos pro seu homem e depois de quase empanturrar de tanta comilança, é chegada a hora de um chamego na rede -, só no embalo e na brisa até a leseira passar e o fogo começar na esfregação de pernas e mãos, num sobe e desce entre os seios, descendo pela barriga, ventre até o vértice das coxas ___ a mina d'água! Ela se entrega, se esfrega e se abre em flor, geme a não mais querer e pede a boca pra um beijo botão do desejo na explosão do amor.
Ela é assim, mulher fêmea, mina d'água que escorre quando seu homem lhe morde a nuca  sussurrando indecências ao seu ouvido e vai lhe encochando pelos cantos da casa enquanto a mão afoita por debaixo do vestido de chita, percebe a ausência da calcinha... Ela é assim, um pé no passado e o outro no futuro.


para Odur



imagem: Dominique Ingres