quarta-feira, 14 de junho de 2017

TRAÇOS E RABISCOS


A realidade é tão frágil, e eu em completa sintonia com a noite, faço rabiscos numa folha nua, ah, a nudez da folha me inspira a inquietação. Creio que podia ficar assim celebrando cada traço, cada linha, cada curva e glorificando o seu suposto olhar sobre mim e envaidecida derramaria sobre mim, varias camadas de tinta  como se inadvertidamente quisesse fazer parte do meu próprio desenho.


imagem: Luciah Lopez


VINHO SECO



____ na borda da taça a marca de batom denuncia um falso beijo (quisera fosse na sua boca!) Ah, não tem nada não, é só mais um pensamento entre tantos que eu já nem sei mais se não é um delírio. O vinho é seco ao paladar, contudo, não há tristeza nem lamentos, pois ninguém pode pensar aquilo que lhe traz perturbações. Agora é noite... É silêncio nas imediações, e eu me faço prisioneira de quilômetros de distância sem saber se hoje, amanhã ou depois vou poder descansar na paz do seu sorriso. Desconheço essa paz_____ desconheço e mesmo assim, sinto que minha alma carece perguntar-lhe algo. Como é possível? Como?! Se ao deitar-me inerte entre os lençóis, os meus  pensamentos são seus?! Ah, o extraordinário vazio da noite vem rondar minha janela...


segunda-feira, 12 de junho de 2017

VO(AMO)S


Eu sempre quis voar embora tenha nascido com uma asa apenas. A princípio pensei ser isso um castigo, então chorei porque não compreendia a ideia das metades que se procuram e numa quase veneração se reencontram e escandalosamente voam redimidos de toda culpa -, voam porque se pertencem através do Tempo e o retorno à claridade se faz através do amor. E tão maravilhoso é o seu amor, um aconchego de palavras e carinhos que faz o fim daquele suplício de não poder voar - nos abraçamos e voamos juntos.

para Odur


domingo, 11 de junho de 2017

UMA HERANÇA CHAMADA SAUDADE


A sua partida deixou em mim uma lacuna impreenchível e a sua história não passa -, não tem fim porque você vive em cada célula do meu corpo e foi a fonte de vida que glorifica a minha existência. Hoje eu percebo claramente a sua luta no sentido de me fazer entender o mecanismo da Vida pois não é possível viver de relatividades - a Vida é intensa, porém não aceita conformismos e a ancianidade nos persegue a despeito de nos tornar criaturas débeis, mas a sua presença na minha vida não é somente uma foto antiga; é como o sol depois da geada, é como a música embalando o silêncio no mais íntimo e recôndito de mim mesma e isso me faz forte o suficiente até mesmo para chorar a sua saudade enquanto olho para a minhas mãos e esta visão me dá a certeza de que eu guardo somente lembranças importantes, e me entrego a uma vida inaudita levando comigo a sua presença e a certeza de que a Vida não se retira.

com amor, Luciah


para o meu pai Moysés Lopes Ribeiro
(11/06/1917  - 24/09/1988)




terça-feira, 6 de junho de 2017

ENTRE VERSOS



É com muita satisfação que comunico que o livro de estréia de Luciah Lopez como poeta (aliás, brilhante), já está no prelo. Fui honrado em fazer o prefácio da obra, muito bem diagramada por outro poeta, Osmarosman Aedo. Agradeço publicamente esta honra em analisar a obra tão repleta de sentimentos e construída com a alma de Luciah Lopez a quem, de pé, aplaudo agora.

À GUISA DE PREFÁCIO
(a palavra nua)
poesia não é ilusão. Se assim fosse, seria mágica.
A poesia é sentimento. Por isso a emoção.
Faz chorar, rir e sentir. Eis o milagre daqueles
que realmente sabem escrever poesia. Aliás, escrever,
não! Debulhar a alma. E isso, cara Luciah Lopez, você
sabe fazer como ninguém. Um rápido exemplo neste livro
de estréia: "Toda palavra branca é nua...", isto é, palavra
nua, não tem nem cheiro de poesia, equivalendo mais a
uma prosa ou narrativa. Por isso, confesso que me encanta
ler sua obra, agora reunida neste livro.
Encanta-me a solidez do mote. A linha performática,
até, com a qual você vai tecendo o tijolo poético, sob o
prelo do conhecimento prático. Teus poemas me obrigam
à lucidez interpretativa. Essa é a vantagem de traduzir um
insight simples, quase comum, sem rimas lógicas ou perceptíveis,
mas com espectro profundamente desestrutural.
Note-se: "Um dia que não amanheceu/E uma noite que
não se desfez da escuridão." Isso significa que o verso
bem elaborado não precisa de técnica, nem escolas, nem
sofrimentos. Todavia, não deve ser uma palavra nua.
Essa é a grande diferença em sua bela obra. Incitado e
excita o leitor pela condução poética, a fim de que ele
possa construir seu enredo contemplativo, numa hermenêutica
de passo a passo, sob o desenrolar do fluxo
versicular, tirando desse, a maioria das sensações que a
alma de quem lê possa disponibilizar naquele momento.
Isso é um fenômeno clássico.
E como diz Antoine de Saint-Exupéry: "A verdade não
é, de modo algum, aquilo que se demonstra, mas aquilo
que se simplifica." Eis o segredo desta maravilhosa obra.
Então, Luciah, na mosca!.
Jornalista Mhario Lincoln
Crítico literário e presidente da Academia Poética Brasileira.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

149ª Capa do Grupo Fechado Poetas Amigos



Sempre tive a propensão a sonhar e era  no meu Diário de capa azul, fechado com uma pequena chave em forma de coração, que estes sonhos se transformavam em poesias. Eram as minhas relações mais intimas com o mundo à minha volta e a modo de como tais acontecimentos provocavam mudanças significativas em mim. Um dia, abri o meu Diário Azul e mostrei algumas dessas anotações preciosas para mim e até dispus-me a correr para debaixo da cama caso houvesse risadas -, mas não foi o que fiz. Mas como eu não tenho o habito de fugir, esperei pacientemente e as coisas aconteceram e ainda acontecem impulsionando a minha maneira simples de fazer poesias -, algo assim, como quem planta um jardim de margaridas.

Obrigada Sandra Fayad por este presente!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

INICIAÇÃO

Talvez amanhã ou depois ou mais tarde -, eu comece a assoviar uma antiga canção de Willie Dixon e caminhar junto à casa como fazia o meu pai. São épocas passadas que nunca adormecem e eu me mostrei como sou - sei jogar as fichas e esconder os dados na manga da blusa e na mesinha de cabeceira sempre aquele olho sem pálpebras me mostrando as horas - isso podia ser parte de um pesadelo, mas não é. Portanto, umas abluções podem nos livrar de nossas culpas no mesmo instante em que a luz dos vaga lumes permeia a noite clareando os rumores e o farfalhar das folhas secas de outono sob os meus pés. Tudo isso estreita as minhas relações com a sabedoria do homem que caminha ao meu lado e me mostra a a extraordinária beleza de estar viva.



PRIMEIRO DIA

A evolução do pensamento capaz de reproduzir a origem do Tempo e tudo que nele está contido, mas não de forma estática, e, sim em constante movimento. A visão da sua imagem até a 'primeira vez' nunca se perdeu, e os seus traços sempre foram os mesmos - familiares ao meu coração e alma. E tantas vezes eu chamei por você em nossa infância recente que era imperativo reencontrá-loe mesmo que que estas revelações se tornem parte dos experimentos da vida, mesmo assim, a aspereza da solidão terá sido válida por tudo aquilo que de você fluiu para mim e me fez verdadeiramente mulher em toda concepção da palavra. Por longo tempo permanecemos à porta dos sonhos e eu andei pelas horas, carregando nas mãos todos os signos que traduzem o essencial para que possamos ser aquilo que desejamos. Pela primeira vez, senti a paz ressurgindo, ao vê-lo sorrir/menino que é e sempre foi.

Feliz Aniversário Odur



imagem: Luciah Lopez




SEGUNDO DIA



Voo ao seu sonho e mesmo na demora das letras a imagem se faz no caminho da sua existência  e em tudo que se renova na minha vida. Que sabia eu de sonhos, antes da sua chegada? Era apenas um dormir sem ter porque -, mas a exatidão das suas palavras deu um sentido, um norte à minha alma e uma razão para os meus sonhos. À luz da consciência enfraquecida e a noite já bastante avançada, contudo, estou aqui desperta do torpor de cansaço e me preparando para finalmente voar até onde você e eu somos um a essência do outro.


para Odur


sexta-feira, 26 de maio de 2017

TERCEIRO DIA


[ ! ] através da penumbra o meu olhar sucumbia  às correntes obscuras encerrando mais um dia e tampouco o sono era capaz de manter o silêncio nos meus pensamentos. Naturalmente a sua imagem era resgatada de cada espectro projetado na parede nua e remetido a alguma aventura em vestes de herói tupiniquim montado num pássaro azul. Eu já havia perdido o habito de sonhar, me considerando mais uma hipócrita  extravagante representando a difícil e árdua tarefa de caminhar em solo adulto. Ah, como era repulsiva e empobrecedora essa caminhada diária com ares de mandona - até os meus ossos doíam - então, em meio a uma tarde morna (onde eu, bem que devia estar lendo Joyce, Whitman ou Bukowski), aconteceu a renovação da minha existência - e eu, já acostumada a uma boa dose de solidão, me rebelei a ela e passei a existir sobremaneira encantada com a sua presença espontânea na minha vida.  Há uma amável tranquilidade entre você e eu e isso não nos deixa indiferentes às necessidades puramente carnais, contudo, o que está em nós se renova a cada dia ( e noite sucessivamente) e assim será.

para Odur




QUARTO DIA


Minha vontade era de estar contigo, sem importar-me com interpretações que venham a ser feitas sobre isso -, não me sinto a caminho do Gólgota pelo fato de amar demasiadamente. Basta a realidade mais divertida do que uma completa incredulidade na existência do Amor. E se me olhas resolutamente nos olhos, posso saber onde reside a felicidade, e, contrariando a própria vida e suas maledicências eu me percebo um novo ser, quando em suas mãos vivencio o crescimento da minha alma. Encerra-se a solidão e eu sou capaz de fazer versos...

para Odur



quinta-feira, 25 de maio de 2017

QUINTO DIA



Me refugio na harmonia das suas palavras com cheiro de hortelã, e a serenidade apaixonante da infância  que nunca diz adeus, me transposta ao paraíso aonde  podemos escrever nossa história. E a sua voz exorta-me a criatividade nas cores e linhas, de forma a revelar o meu olhar sobre todas as coisas. Todavia,  só me interessam as flores com as quais, eu me ponho a construir nosso refúgio para os momentos de carinho e entrega. Não há o fracionamento do Tempo ou exclamações e interrogações que possam ser convertidas em dúvidas -, há somente a nossa conduta pueril, livre de toda opressão e a certeza de nos pertencermos um ao outro no hálito do universo. 


para Odur




terça-feira, 23 de maio de 2017

SEXTO DIA


Marcamos um encontro numa nebulosa azul -, eu voo ao seu encontro emprestando asas de trinta pássaros e no meu coração levo a infância vestida de noiva -, branca, alva, diáfana - é a minha herança. Há tempos, enquanto observava a luz rala das estrelas por detrás das nuvens, eu soube de um universo existencial e a estranha emoção de fazer parte dele. Não há absolutamente nada além dessa certeza e um leve estremecer - quase imperceptível - quando me lembro da sua boca tomando a minha, num beijo milenar. Permaneço assim, flutuando neste universo indescritível até adormecer.


para Odur 

SÉTIMO DIA



Havia muitos anos desde que a Sentinela do Tempo - resignada - depositou na palma da minha mão, a Chave que Desdobra a Eternidade e todos as trombetas soaram e a chegada do dia estendeu-se em campo aberto unindo todos os planos celestiais.  Uma lágrima escapando dos meus olhos transforma-se em diamante ganhando a credibilidade do Arauto de Todas as Verdades. Ambos, Sentinela e Arauto -, ajoelhados diante do Sol, quando em seu esplendor, corre o céu eclodindo a vida para dentro dos meus olhos-, outrora cegos,  entoam cânticos reverenciando a Hora do Choro Que Não é Triste. Um raio do espectro solar faz dissipar um resto de nuvens que já cumpriram sua missão e o Leão de Pedra reluz... 



para Odur 


domingo, 21 de maio de 2017

A LUA






Ela caminha cabisbaixa e indiferente aos cachorros sem dono que a seguem. A sombra dos postes passam trazendo uma mescla de tristeza e solidão. Sente o coração - (sabe que esta viva). Viva!Estar viva, mas, por quê? Lentamente seus olhos buscam a lua. Pálida. Silenciosa. Pendurada num pedaço do céu. Ama a lua.Sonha com a sua quietude – com sua solidão. Ela é a lua! Sente-se assim – pendurada num pedaço do céu. Sente o vento nos cabelos – o vento pode atravessar seu corpo, sente-se assim, fluída. Abre os braços e continua caminhando. Abre a boca buscando o ar à encher-lhe os pulmões. Esta vazia. Vazia de si. Oca de sentimentos. Os cachorros seguem calados – observando. Talvez entendam aquilo como uma brincadeira, mas,não participam, apenas observam. De súbito ela para. Junta as mãos em prece – os olhos marejados se desprendem da lua. Pássaros noturnos voam baixo. Tudo é silêncio e solidão. Triste ela percebe que não pode ser igual a lua. Suas pernas não suportam o peso do corpo – cai. Aquieta-se enrodilhada feito um bicho. Os cachorros deitam-se ao seu lado – silenciosamente aquecem seu corpo durante a noite fria.



PAISAGENS



Paisagens
Estou diante da janela e o vidro é tão fino e transparente que a paisagem lá fora me pertence. Metade de mim é o vidro e a outra metade é a paisagem. Como saber quando juntar as duas ou  qual delas é real? O vidro e a janela, as paredes de cores desgastadas, a paisagem navegando entre o verde e o azul num quadrilátero perfeito – útero!
Então me percebo encolhida como um feto esperando a hora do nascimento. A janela me permite ver o mundo, mas o vidro me impede de senti-lo. Não me permite tocar e respirar e até mesmo viver a paisagem.
(Sou engolida por ela)


 

terça-feira, 4 de abril de 2017

CARTA DE ALICE





Querido amor,

Dizer que não pensei em você durante o dia seria o mesmo que negar o sol e a lua - não dá! Estremeço a cada pensamento e ninguém, exceto eu, sabe que não me encontro só, neste paraíso longínquo do mundo -, chamado desejo. Agora já é noite e aquele vazio silencioso que conheço tão bem, foi violado pela musica inaudita da chuva. Ah, como é bom e reviver e respirar a chuva... e tudo que ela contém agora escorre pelo meu rosto num refrigério pelo corpo e eu sou como a fome dessa chuva sumarenta de frutas cítricas e sabores desconhecidos. De longe vem os tentáculos do mundo num disfarçado abraço, mas estou enraizada neste chão molhado e dos meus braços pendem os frutos e folhas e flores. Dos meus seios nus escorre a seiva que alimenta a vida embriagando a sua razão de ser homem entrincheirado na pauta do meu amor, de onde nunca vai sair, nem mesmo quando eu florescer em alma de infinito brilho e a sua compreensão se tornar uma insônia maior que a distância entre a sua boca e a minha.


para LAM




imagem: Erté



segunda-feira, 13 de março de 2017

ALICE E A COMPLEXIDADE EXISTENCIAL


Alice e a Complexidade Existencial

Alice caminha em silêncio sem saber  de onde vem essa força viva que a faz caminhar além dos desconfortos e  falsas verdades que só produzem angústia e a certeza de que está presa dentro de um contexto sem conseguir reformular a própria existência. Tenta preservar a  consciência e a humildade de quem nada mais é, que um caminhante. Ponderando o silêncio, faz o silenciar da alma buscando a internalização de cada pensamento diante da simplicidade da vida e da complexidade do viver. Alice é causa primeira de introspecções e sublimes lampejos de lucidez que ampliam a compreensão do que vive dentro e fora do seu coração. É mulher e isso justifica a elegância das dúvidas, a ilustração resplandecente da íris amarelada e a espiritualidade que lhe confere um ar quase angelical. Alice poderia ser um anjo, mas pertence a uma classe de seres humanos que exercem um encantamento por serem permanentemente assim - etéreos. 



sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRISTITIA


TRISTITIA

A necessidade de viver e amar tem níveis tão profundos quanto as dificuldades para encontrar respostas a todas as minhas perguntas. Quero evoluir, mas carrego a tatuagem de todas as dores na alma e a solidão de todas as existências me toma de forma assustadora. Quando eu olhei para você pela primeira vez, o que senti foi o que me manteve disposta a nutrir de forma carinhosa, o sentimento que chamo Amor. Durante anos de busca e espera, eu não perdi o interesse em reconhecer seus traços através da leitura de sinais, que podem (eu sei) ser frutos do delírio da minha alma que é viva poesia. Busquei em você a alma gêmea, a imortalidade do verbo e a pressa da palavra sã, a calma do rio na ribeira e fúria do mar,  a paciência das nuvens e ferocidade dos raios, a duvida dos  caminhos e a sabedoria dos ventos. Busquei em você o amanhecer e o entardecer. O dia e a noite. O sol e a lua. A boca e o beijo. A mão e o afago. A verdade e a luxúria. Busquei em você o avesso da tristeza e a alegria do reencontro. Sonhei desesperadamente até perder a conta dos dias, até que o Tempo parou de existir e o passado e presente se misturaram diante de mim como um eclipse lunar/solar que me fez perder as minhas dimensões e eu passei a ser você. A certeza da minha felicidade é a sua existência assim como a minha tristeza é a certeza da sua ausência.
la tristezza non ha fine
tristesse n'a pas de fin
la tristeza no tiene fin


para Odur 




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

CONFESSO-TE!


Confesso-te!
______esta que vive em mim
ama e sofre e chora
morde os lábios e esfrega os olhos.
Esta que sou___se revela para pouca gente
(( incoerência?! ))
mas o verso sem rima
tenta unir o que nos separa ___o tempo sem pressa
ladeira a baixo até a flor de carne
retalho d'alma que nas veias pulsa
Ah, como eu quero teu amor assim bem louco
e este teu viver que me rodeia
em penas de arcanjo...

para Odur


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

RECORDAÇÕES



RECORDAÇÕES

Nada mais me fala à recordação. Talvez não seja mais que um sonho - cacete! Mas e o seu olhar tal qual ferida aberta e a boca de beiços esgarçados por onde escorre  a saliva espessa engrossando o molho vermelho que envolve os testículos de boi?! Hum?! Isso é sonho, merda?! Pois que seja! Ela, que era "dele", agora é só uma gravura sentada numa  desconfortável cadeira tendo os cotovelos apoiados na mesa  num boteco qualquer. Eu fico aqui, calada -, pensando nessa merda toda e na verdade, desejando estar num outro lugar porque é foda finalizar o dia sabendo que estar apaixonada, não quer dizer nada! Sentir o beijo gelado da 'tulipinha' de cerveja, dar uma tragada no cigarro e observar atentamente a brasa se aproximar dos lábios é a coisa mais idiota que uma mulher pode fazer em se tratando de solidão. Caraca!! Olha só o cara!Na maior folga mijando numa árvore da praça em frente ao boteco - essa é a vantagem de ser homem, quando a vontade de "fazer xixi" começa apertar. Putz! Ainda sacudiu o pinto na maior cara de pau, fechou o zíper e foi embora!! Melhor eu pedir mais uma cerveja e curtir o chafariz da praça...



CONSTEL_AÇÃO



CONSTEL-AÇÃO

Caminhando lado a lado
de mãos limpas e alma lavada
lá vão elas___ com suas toucas de orelhas de gato
((pussy hats))
arranhando com palavras/garras
defendendo seu espaço,
fugindo do laço
e do mormaço
____exigindo seus direitos de brilhar feito estrelas
da grande constelação _ Mulher!



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ANÔNIMO


ANÔNIMO

...e as três feras caminham juntas desenhando os nove círculos, enquanto os mortos, atormentados, ajoelham-se diante dos portões. - A inocência mora aqui?!
_____quero comprar três moedas de prata e desenhar em cada uma delas o olho cego que tudo vê.


foto: LL


domingo, 5 de fevereiro de 2017

ENIGMA


ENIGMA

Se ao teu olhar sou poesia e me faço carne em tuas mãos, então, por que me lanças à súplica estrangulada de Ezra'eil?! Por que permites que o fio da lamina derrube a asa que me mantém o equilíbrio?! E da tua língua, só o final de cada palavra sã e a melodia do teu nome na pauta de quatro espaços  adulteram a eternidade e justificam a porta do terceiro céu, antes que os meus pés caminhem sobre o abismo e os meus cabelos de sangue e fogo se rendam aos afagos do vento sul.


imagem: Eros e Psyche