quarta-feira, 23 de novembro de 2016

REFLEXÃO




Depois da meia noite de que me vale o sono, se você não vem? Asgaard é logo ali, num canto do quintal onde a lua  faz carícias na copa do arvoredo desenhanho crivos pelo chão. O meu corpo está deserto e as feras do meu medo, rondam pela sombra, soltando rugidos  e lambendo os meus pés desnudos. As feras de mim mesma! O que é a noite sem os teus beijos acendedores que são, das minhas estrelas?! O que posso desejar da noite, se não, a concha da tua mão onde repousar meu seio?! De que me vale a noite, se eu sou escuridão sem a tua luz?


para Odur






domingo, 6 de novembro de 2016

EM PAZ


Em Paz

A paz é profunda e contrária ao nosso destino assustado e tolhido pelas paixões humanas. Somos o silêncio abissal que não sorri ante o convite do olhar pentassílabo -, temos a mão que recusa a calosidade e o afago. Somos a ave que recusa o voo nidificando entre as pedras de sal, adormece na algidez da solidão. Somos trinta peixes - trinta destinos e a unidade divina que navega a ideia do incompleto. Somos o pivô da discórdia, a urgência da dor e a manifestação da ilusão e mesmo que a eternidade nos absolva, ainda assim carregaremos todos os nossos pecados e de mão dadas permaneceremos no silêncio reverenciando a morte um do outro, até que a paz seja conosco.


imagem: Jason de Caires Taylor