quinta-feira, 30 de novembro de 2017

REFLEXÃO



Com a proximidade das festas natalinas é bastante comum nas pessoas a mudança comportamental, uma busca pela compreensão da alma humana em diante da difícil caminhada pelas veredas espinhosas e das cicatrizes adquiridas. Como aceitar a dor sendo parte de um presente de Deus, se não nos damos conta da divindade existente em nós?! Há impulsos e necessidades inerentes ao homem -, o Amor e o amar. É difícil e árdua a tarefa de nos libertar do egoísmo para  adentrarmos na naturalidade dos seres de luz. O Amor é a mansuetude da alma, e o amar é a resignação com a qual nos entregamos a um processo modificador. Somos feito a prata e necessitamos tanto do crisol quanto do fogo. Não há como alcançar magnitude e beleza de ser uma joia rara, se não nos entregarmos ao artífice. Muitas vezes o que consideramos como um castigo ou uma privação, nada mais é, que a descoberta da nossa oportunidade de amar de forma incondicional. O nosso desconforto psicológico tende à descrença e a revolta, porque somos humanos, densos e pesados salvaguardando a mais absoluta descrença na vida eterna, mantemos uma visão linear, que nos faz estruturalmente rudimentares. Cabe à alma, ser como a flor dando vida ao vaso de barro. A expansão da consciência nos liberta de toda e qualquer prisão, de todo e qualquer medo. Sejamos LUZ.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

TODOS OS SONHOS DE ALICE


O pássaro sabe o endereço: por semanas sucessivas ele chegou com a manhã; mais precisamente às 05h23. As vezes, sob a mais terna fantasia, desconsiderando seu instinto alado ele provocava sonhos nos quais Alice consagra a loucura experienciando o ser, no mais profundo de sua alma infinitamente pueril. Alice é o que o pássaro considera como sendo a concretização autentica da fantasia -, e a piedosa admiração pelo ninho no vértice das suas coxas faz com que a moralidade seja apenas uma vocação tempestuosa - quiçá obsoleta. Alice abre as pernas e os braços e se agiganta expondo a sua teoria sobre o existencialismo e o passar dos dias na tábua da vida. A volúpia do pássaro em suas mãos faz com que Alice seja dissipada na aventura de todas as palavras contidas num amontoado de folhas que as traças vão saborear. Pois que se faça a vontade das suas asas e se renove os seus voos cada vez mais alto, cada vez próximo ao teto do mundo feito Ícaro em desespero.


imagem: Jet Xptu/olhares.com



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ANONIMAS


Entre o mundo real e o sabor da independência percebo claramente a fragilidade que envolve a nós mulheres, perante uma parcela de pseudo machos, que influenciados por falsos conceitos de moral obsoleta, sentem-se no direito de 'esporrar' feito um animal isento de consciência e singularmente livre do peso da lei. A esse propósito, diga-se que a justiça continua cega e inefavelmente diversa do que se espera de uma 'senhora' que ao invés de agulhas de trico, tem nas mãos a espada e a balança. Ah! Com profundo pesar me olho no espelho e a minha imagem é anonima, porém a minha revolta não se cala_____GRITA!!



terça-feira, 19 de setembro de 2017

MAMULENGO


Eu vou por aqui e acolá, mamulengo que sou nas ruas desta cidade feita de panos de chita e barro queimado. Corro os meus passos sobre as pedras lisas, corro pra longe do escuro, do muro, do medo do fim do mundo. Em cada esquina, dois pares de olhos sem pálpebras, duas bocas sem dentes, duas mãos e uma pedra! Uma lata, um cachimbo, um escambo e dois palitos____um apito e o guarda Belo! Eu corro, eu subo a ladeira, escorrego na ribanceira e me faço broto de bananeira ( yés, nós temos banana!) e a puta que o pariu acende as luzes feito um Zeppelin apocalíptico e chove sobre nós o mijo sagrado de cada dia. E a cidade adormecida entre chitas e tafetás emite sons graves e agudos e padece num orgasmo transcendental pra renascer colorida entre peidos, merdas e mijos e o pão nosso de cada dia - amém!


foto: Curitiba/ LL 




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

GALOPE MARTELADO



Ouviu-se um galope desenfreado.
- Quem vem lá?! Um ciclope, um unicórnio dourado, um centauro alucinado?! Não consigo distinguir, tudo é inútil e sobre mim a fatalidade de um espírito nostálgico.Todavia, a inutilidade da palavra vã, aproximou-se e a ocasião fez com que se cumprissem todos medos e sobressaltos que a alma enclausurada acomete. Há um instante de alerta e uma necessidade peremptória de confessar todo o meu amor, mas os sentimentos se extraviam antes mesmo que as flores possam fazer parte da primavera...
Posso dizer que de um modo geral, eu resisto aos sonhos, vez por outra, como a tinta que escorre sobre a folha branca criando imagens inexatas.




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PAISAGEM INTERIOR


_____eu morro sufocada neste álbum de retratos, que a descontinuidade do Tempo faz azular. Quanto mais eu contemplo os detalhes das penas dos pássaros, mais me dou conta de que não posso voar -, e num impulso me lanço ao abraço feito pintura de tinta guache e me penduro no dorso da ilusão de viver em você. Ah, os seus instintos mais primitivos a invocar-me a docilidade de quem vive à margem da realidade na luminosidade nos seus olhos de sol e poucas são as palavras que o Tempo  nos participa, porque nem o rio, nem a floresta, nem a montanha ou mesmo o mundo inferior pode separar o que provem de nossa alma e pode ser refletida no espelho d'água - benéfica e cristalina água que sacia a sede de todas as sedes: a felicidade de ser assim, tão sua.



para Odur



Imagem: Chelsea Greene Lewyta



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A FLOR



Meu coração se contrai e se expande em resposta ao Amor que me invade com as cores da primavera. É a flor que sai do ventre e traz consigo as línguas faladas e as línguas mortas que distraem a palavra feita da saudade que te reveste. Eu mencionei o seu nome enquanto a seiva corria pelos veios e ranhuras das folhas e pétalas e a elas ajuntei os pensamentos que a voz do meu coração soprou nos meus ouvidos. Nitidamente ouvi o que perdura entre nós -, o seu riso. A espontaneidade da sua risada obedece as curvas habituais no vermelho dos seus lábios e é tudo que eu preciso para me vestir de primavera ao bel-prazer de quem ama e se permite amar.


para Odur


foto: LL