quinta-feira, 17 de maio de 2018

DE TUDO QUE SOMOS E O QUE FAZEMOS


Entedia-me perfeitamente com tempo. Então ele chegou, com seu riso de sol, seu olhar de menino trazendo nas mãos a lava quente dos vulcões. Juntos deciframos o código da pele e dos sabores, das carícias e dos suores, nos cheiramos feito bichos no cio sem a interrogação do pensamento - somos um dentro do outro permanecendo assim a despeito das circunstâncias porque o Amor não se mede, não se 'vende' e tampouco se compra. 

(compartilhando com Odur)


terça-feira, 15 de maio de 2018

A Santa Deusa de Cada Dia


A Santa Deusa Nossa de Cada Dia

Uma toalha de renda sobre a mesa tosca e as mãos daquela mulher pacientemente trabalhando o papel e criando as rosas marmorizadas.  Os raios de sol bordavam crivos pelo chão acendendo pequenos vaga-lumes na poeira da tarde. Seria uma ousadia qualquer palavra dita -, qualquer som que pudesse romper a magia daquele momento. Então me calei. Haveria tempo para as palavras, mas não o tempo da comunhão. Guardar aquela imagem era o mais certo a fazer, e até mesmo o velho carrilhão se recusava a anunciar as horas. Ela estava linda em sua ocupação de enfeitar o mundo com as suas rosas. Como eu queria participar daquela liturgia - ela era a santa, a mulher, a origem, a deusa - ela era a mãe. E o meu olhar a perscrutar-lhe o semblante, reconhecia a semelhança, assim como a argila reconhece o oleiro. Naquele instante eu percebi que possuía o maior mundo e até mesmo nas batidas do meu coração aceleraram quando ela se virou para mim e disse sorrindo: Oi filha, veio ajudar a mamãe?! Eu sei fazer rosas de papel, mas não sei fazer o tempo voltar e isso é com certeza, uma das maiores, senão a maior saudade que eu já senti - da minha mãe.


para minha mãe Dª. Ira 


domingo, 6 de maio de 2018

A mulher e o Prazer de Ser Mulher


A mulher e o Prazer de Ser Mulher 

imagem: Andy Warhol - Birth of Venus -1984

Ao ler ‘Os Estatutos do Homem’ do poeta Thiago de Mello, percebi a abrangência do poema e como ele nos posicionar dentro deste universo que mantém vivos-, os preconceitos arcaicos que só fazem dilapidar a referida obra poética. É lamentável, que nos dias atuais existam indivíduos não capazes de compreender a diferença entre gênero e espécie da palavra homem dentro do contexto. Penso, que, baseados nesta pequena confusão, estes indivíduos reúnam aspectos totalmente primitivos assumindo uma posição bastante controversa em relação à mulher e o seu papel na sociedade atual. Coube à mulher, ao longo da história da humanidade uma participação irrelevante, mesmo algumas se sobressaindo, outras eram imediatamente caladas e assim sucessivamente até que aconteceu essa explosão de informações que libertou a mulher definitivamente, não numa conquista individual, mas dando a ela o empoderamento coletivo, atitude esta que fez da mulher uma das peças fundamentais tanto na grande engrenagem chamada Vida, como no imensurável poema citado: “Artigo IX   - Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.” A ternura que é peculiar à mulher e tão necessária na atitude do homem.




terça-feira, 1 de maio de 2018

domingo, 29 de abril de 2018

PRIMEIRA


Quando eu me sentei no topo do mundo, imediatamente alguém feito um louco alucinado me perguntou aos gritos: cadê as suas velhas tristezas? Mas quem ouve, escuta atento; e já sabendo de todas as condenações me coloquei no desvio do apedrejamento. Cá em cima, eu cismando com meus botões, ignorei as baratas revoltosas em sua cegueira, celebrando o sensacionalismo torpe que não se ler em livros pois os diamantes são para o cérebro e não para as más línguas. E quando a noite não se fez de rogada escancarando o céu da boca, o dia começou a pintar motivos decorativos na linha dos ciprestes e a ocupação das Horas pareceu-me resplandecer. Desse modo, fui-me à contemplação e a olhar a rua e seus esquálidos transeuntes. O casario tomando forma no pratinho de porcelana - era o retrato do que eu via. A Vida e as migalhas não menos valiosas sendo varridas pelo pincel carregado de tintas. E neste ínterim, as  bocas mudas  seguem preenchendo a superfície da Terra na tentativa vã de intensificar o simples diante do avantajado. Por fim, uma criança vestida com roupas puídas solta o pássaro e orienta o olhar que se encontra com o meu.





terça-feira, 10 de abril de 2018

GRATIDÃO


Eu gostaria de agradecer inúmeras vezes à Dra. Elizabeth Misciasci - Presidente da ALB/São Paulo e ao Vice-presidente e Diretor Fundador do Grupo A Casa da Poesia, Renato Baptista pela indicação do meu nome para esta homenagem. Me sinto honrada. Vale lembrar Albert Clarke " Nas nossas vidas diárias, devemos ver que não é a felicidade que nos faz agradecidos, mas a gratidão é que nos faz felizes."

Luciah Lopez


quinta-feira, 5 de abril de 2018

SOMBREADO


Lamento que o pássaro dos sonhos não tenha conseguido chegar a tempo. E sob a luz difusa, no sombreado do quarto, seja o meu sorriso a única saudação que os meus olhos consigam ver no reflexo do vidro encardido da janela. Chego a estender a mão, mas os olhos reconhecem o silêncio e no peito o solavanco cálido e espontâneo reafirma o que Maiakowski salientou: "o coração tem moradia certa" - diante do fato, segue a procissão noite à dentro.