segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A TEIA


 TEIA


A aranha tece sua teia enquanto eu olho o mundo tentando entender sua grandeza e comparando minha pequenez diante de tudo até mesmo da aranha. Tudo se encaixa perfeitamente neste fervilhar de ideias onde a energia torna-se parte real da nossa existência consolidada na teia da aranha. Fazemos parte dessa teia, assim como a aranha esta integrada em seu tear, fiando e tecendo seu próprio destino. Nós fiamos e tecemos nossas dores e nossas alegrias em grandes teares, assim como aranhas. Nós somos as aranhas verdadeiras. Penduradas em fios e alimentando a nossa diminuta existência na energia capturada em cada fio dessa teia. Assim, tecemos mais a cada dia e mais fiando, aumentamos a teia e mais energia será capturada, então, quanto mais capturamos, mais geramos e mais somos capturados fechando o ciclo da energia emanada de uma fonte semelhante – amor.



sábado, 12 de novembro de 2011

QUANDO AS DÁLIAS FLORESCEM


QUANDO AS DÁLIAS FLORESCEM


Sempre que vejo uma dália florescida, me lembro das suas palavras - “que linda!”...E se pudesse, ela certamente a levaria para dentro de casa e a coloria num vaso. Nossa casa tinha um imenso jardim e grande variedade de flores. Eram dálias coloridas, rosas, hortências, begônias, cravos, jasmim, gladíolos  e uma infinidade de samambaias, orquídeas e trepadeiras espalhadas pelos troncos das árvores do quintal. "Ela possui mãos abençoadas!" - todos diziam isso. Sempre que saía para um passeio, voltava com uma nova muda de uma flor diferente e nosso jardim crescia sempre e vivia florido.Ela era de uma docilidade típica dos anjos. Sempre tão solícita, tão espontânea  que era impossível não gostar de seu sorriso, de seus abraços, de sua amizade...Acho que fez tantos amigos quanto estrelas no céu. Nunca a ouvimos reclamar de qualquer coisa, mesmo essas, sem importância, tudo era fácil de ser entendido e aceito com dedicação. A vida era apenas um bom motivo para ser feliz e assim, ela distribuía seu carinho com as pessoas de seu convívio.Às vezes, eu sinto que cheguei abusar desse carinho... Fazia todo tipo de pedidos à ela, que prontamente me atendia, cobrindo-me de mimos. Sempre estava ao meu lado, protegendo minhas peraltices de criança e atenta aos perigos... Um anjo que Deus, colocou na minha vida para cuidar dos meus passos, atendendo meus caprichos e colorindo nossa casa com suas dálias.Infelizmente a vida tem suas surpresas. Numa brincadeira tola, aconteceu o acidente. Uma queda - que interrompeu toda essa emanação de carinho. Houve a queda, a dor e como consequência, os quatro anos de tratamento com fisioterapia, massagens e injeções e tudo isso em vão. Na persistência dos sintomas e comprometimento motor, foi decidido pelos nossos pais (isso depois de muitos exames), que a cirurgia era o mais indicado para a descompressão do nervo ciático...E pela primeira vez, nós vimos o medo em seus olhos e uma negativa em suas palavras. Mas a cirurgia era inevitável; aconteceu no final de junho de 81. Coincidentemente, era nosso aniversário no mês seguinte. Ela no dia quatro, eu no dia seis e como sempre, comemorávamos com uma unica festa. Juntas, cúmplices na alegria dos presentes, nos amigos, nos sorrisos e no sopro das velas...Mas em 1981, pela primeira vez não houve festa, ela estava no hospital. Não teve bolos e nem os presentes, apenas o seu olhar aos amigos que levaram a ela, um abraço e carinho até seu leito, de onde ela sorria retribuindo... Não aconteceu uma festa, não teve bolos, nem presentes - só as velas e as flores. Mas essas velas que foram acesas no dia 11 de julho de 1981, eram velas tristes... Chorando um pranto silencioso, escorrendo em suas lágrimas de cera quente, a dor... Teve flores, muitas, muitas flores coloridas e coroadas de silêncio e pesar. Todos os abraços que eu recebi naquele dia foram de tristeza e em todos os olhos que eu olhei, vi apenas tristeza e dor banhada de lágrimas. O silêncio dos meus pais era pesado, ausente e morno... Triste foi o beijo que deram em seu rosto frio...Um beijo de 'adeus' separando-os do convívio com ela nesta existência física. Aquele beijo foi à coisa mais triste que eu já vi e senti; meus pais perderam uma filha e isso contraria a lei natural da vida... E eu, eu perdi minha irmã, minha única irmã. O meu anjo doce de candura. Doce como seu nome Dulce... doce...dolce...dolce Dulce, adeus.


...para você minha irmã, toda minha saudade.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CONVERSAS PRÁ BOI DORMIR - 'DOCE COMO MEL'


CONVERSAS PRÁ BOI DORMIR - 'DOCE COMO MEL'


O relato que segue abaixo é trecho de uma carta de um colono da fazenda, enviada ao meu pai. É bastante hilária, por isso foi guardada até hoje...“...cumu eu tinha promitidu, o tár do mér de abêia pura, sem mistura de guarapa... nóis achêmo uma caxa di abêia, dessa preta... Orópa, nus ladu das terra du Cróvis japoneis, aqueli qui tem as terra prantada di tomati, í que faiz diviza cas terra lá nu fundo, perto do capão dí matu, o sinhor se alembra deli, num é?


Bem, trêis ontonti, nóis rezorvêmo de í tirar o mér. Juntei o Nérso, u Dito, cumpadi Tunim, mais Gimíro, seu afiado, peguêmo us cachorru, o fumegadô, mais umas paia de mío e si lasquemô no carreado até o tronco caídu dondi tava as abêias. Só que a Tiana, a Bertrudi e a marditá da minha sóga, veia Térvina, fôru di atraiz.

A Bertrudi, eu sei...tá di zóio cumpridu pur causa du Cróvis, u japoneis dus tomati, mas a veia Térvina foi obra du capeta memo!!!
Nóis tudo arrumadim pra módi pega as abêia di surpresa, í dirrepenti aquela falação dus infernu... Oiêmo pra cima í tava vindo duas gráia mais uma araponga de cabeça branca...

Gritei qui si quietassem í fossi pra otrô lado, mais u diabu da veia gritô que tava cus intestrino disarranjado í tinha que se aliviá... Visão dus infernu!!!
A veia Térvina, foi pá ditrais duma moita, quanto cumeçô a levantá as saia, escurregô num monti di bósta das vaca, e rolô barranco a baxô, inté batê nu tronco donde tava as abêia!!!

Dotô Musês, me arrespondi... Purque que Deus feiz a muié cum boca?! Praga pior que furmiga saúva, pior que gafanhotu...num tem iguár!!
A pésti da veia bateu nu tronco, sustô as abêia...e foi só abêia saínu di ferrão prontinhu pra mordi aferrá nóis. Eu saí correnô e me apinchêi no córgo dágua, mais u restu...bem, a véia cumu caiu ca saia levatada, as abêia pegô nas parte báxa, ta que num pódi fechá as perna...us cachorro, bão quí são, infrentaru as abêia cumu dêu, latia e engulia abêia, latia e ingulia abêia...

A Bertrudi, proveito e sumiu prus lado dus tomatêro du japoneis, a Tiana, sinfiô numa capuêra, u resto ta cum a cara inchada que nem pódi falá...dózinha di Gimíru, inté cumida tem qui se di canudinho!!! U Valenti, meu cachorro ta sortano abêia nas féiz quando óbra... Isso já faiz três dias du acuntecido...

Óia dotô Musês, nóis pede discurpa, pro senho e pra dona Ira, mas num deu pá pega o mér não, as abêia num tava pra brincadera não, intão, a Tiana ta mandano pelo cumpadi Tunin, us vidro di cumpota de carambola que a minina Mariame gosta e no lugá do mér, ta indu memô é melado di cana caiana, doce cumô mér di abêia...”