terça-feira, 6 de junho de 2017

ENTRE VERSOS



É com muita satisfação que comunico que o livro de estréia de Luciah Lopez como poeta (aliás, brilhante), já está no prelo. Fui honrado em fazer o prefácio da obra, muito bem diagramada por outro poeta, Osmarosman Aedo. Agradeço publicamente esta honra em analisar a obra tão repleta de sentimentos e construída com a alma de Luciah Lopez a quem, de pé, aplaudo agora.

À GUISA DE PREFÁCIO
(a palavra nua)
poesia não é ilusão. Se assim fosse, seria mágica.
A poesia é sentimento. Por isso a emoção.
Faz chorar, rir e sentir. Eis o milagre daqueles
que realmente sabem escrever poesia. Aliás, escrever,
não! Debulhar a alma. E isso, cara Luciah Lopez, você
sabe fazer como ninguém. Um rápido exemplo neste livro
de estréia: "Toda palavra branca é nua...", isto é, palavra
nua, não tem nem cheiro de poesia, equivalendo mais a
uma prosa ou narrativa. Por isso, confesso que me encanta
ler sua obra, agora reunida neste livro.
Encanta-me a solidez do mote. A linha performática,
até, com a qual você vai tecendo o tijolo poético, sob o
prelo do conhecimento prático. Teus poemas me obrigam
à lucidez interpretativa. Essa é a vantagem de traduzir um
insight simples, quase comum, sem rimas lógicas ou perceptíveis,
mas com espectro profundamente desestrutural.
Note-se: "Um dia que não amanheceu/E uma noite que
não se desfez da escuridão." Isso significa que o verso
bem elaborado não precisa de técnica, nem escolas, nem
sofrimentos. Todavia, não deve ser uma palavra nua.
Essa é a grande diferença em sua bela obra. Incitado e
excita o leitor pela condução poética, a fim de que ele
possa construir seu enredo contemplativo, numa hermenêutica
de passo a passo, sob o desenrolar do fluxo
versicular, tirando desse, a maioria das sensações que a
alma de quem lê possa disponibilizar naquele momento.
Isso é um fenômeno clássico.
E como diz Antoine de Saint-Exupéry: "A verdade não
é, de modo algum, aquilo que se demonstra, mas aquilo
que se simplifica." Eis o segredo desta maravilhosa obra.
Então, Luciah, na mosca!.
Jornalista Mhario Lincoln
Crítico literário e presidente da Academia Poética Brasileira.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

149ª Capa do Grupo Fechado Poetas Amigos



Sempre tive a propensão a sonhar e era  no meu Diário de capa azul, fechado com uma pequena chave em forma de coração, que estes sonhos se transformavam em poesias. Eram as minhas relações mais intimas com o mundo à minha volta e a modo de como tais acontecimentos provocavam mudanças significativas em mim. Um dia, abri o meu Diário Azul e mostrei algumas dessas anotações preciosas para mim e até dispus-me a correr para debaixo da cama caso houvesse risadas -, mas não foi o que fiz. Mas como eu não tenho o habito de fugir, esperei pacientemente e as coisas aconteceram e ainda acontecem impulsionando a minha maneira simples de fazer poesias -, algo assim, como quem planta um jardim de margaridas.

Obrigada Sandra Fayad por este presente!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

INICIAÇÃO

Talvez amanhã ou depois ou mais tarde -, eu comece a assoviar uma antiga canção de Willie Dixon e caminhar junto à casa como fazia o meu pai. São épocas passadas que nunca adormecem e eu me mostrei como sou - sei jogar as fichas e esconder os dados na manga da blusa e na mesinha de cabeceira sempre aquele olho sem pálpebras me mostrando as horas - isso podia ser parte de um pesadelo, mas não é. Portanto, uma ablução pode nos livrar de nossas culpas no mesmo instante em que a luz dos vaga-lumes permeia a noite clareando rumores e o farfalhar das folhas secas de outono sob os meus pés. Tudo isso estreita as minhas relações com a sabedoria do homem que caminha ao meu lado e me mostra a a extraordinária beleza de estar viva.



PRIMEIRO DIA

A evolução do pensamento capaz de reproduzir a origem do Tempo e tudo que nele está contido, mas não de forma estática, e, sim em constante movimento. A visão da sua imagem até a 'primeira vez' nunca se perdeu, e os seus traços sempre foram os mesmos - familiares ao meu coração e alma. E tantas vezes eu chamei por você em nossa infância recente que era imperativo reencontrá-loe mesmo que que estas revelações se tornem parte dos experimentos da vida, mesmo assim, a aspereza da solidão terá sido válida por tudo aquilo que de você fluiu para mim e me fez verdadeiramente mulher em toda concepção da palavra. Por longo tempo permanecemos à porta dos sonhos e eu andei pelas horas, carregando nas mãos todos os signos que traduzem o essencial para que possamos ser aquilo que desejamos. Pela primeira vez, senti a paz ressurgindo, ao vê-lo sorrir/menino que é e sempre foi.

Feliz Aniversário Odur



imagem: Luciah Lopez




SEGUNDO DIA



Voo ao seu sonho e mesmo na demora das letras a imagem se faz no caminho da sua existência  e em tudo que se renova na minha vida. Que sabia eu de sonhos, antes da sua chegada? Era apenas um dormir sem ter porque -, mas a exatidão das suas palavras deu um sentido, um norte à minha alma e uma razão para os meus sonhos. À luz da consciência enfraquecida e a noite já bastante avançada, contudo, estou aqui desperta do torpor de cansaço e me preparando para finalmente voar até onde você e eu somos um a essência do outro.


para Odur


sexta-feira, 26 de maio de 2017

TERCEIRO DIA


[ ! ] através da penumbra o meu olhar sucumbia  às correntes obscuras encerrando mais um dia e tampouco o sono era capaz de manter o silêncio nos meus pensamentos. Naturalmente a sua imagem era resgatada de cada espectro projetado na parede nua e remetido a alguma aventura em vestes de herói tupiniquim montado num pássaro azul. Eu já havia perdido o habito de sonhar, me considerando mais uma hipócrita  extravagante representando a difícil e árdua tarefa de caminhar em solo adulto. Ah, como era repulsiva e empobrecedora essa caminhada diária com ares de mandona - até os meus ossos doíam - então, em meio a uma tarde morna (onde eu, bem que devia estar lendo Joyce, Whitman ou Bukowski), aconteceu a renovação da minha existência - e eu, já acostumada a uma boa dose de solidão, me rebelei a ela e passei a existir sobremaneira encantada com a sua presença espontânea na minha vida.  Há uma amável tranquilidade entre você e eu e isso não nos deixa indiferentes às necessidades puramente carnais, contudo, o que está em nós se renova a cada dia ( e noite sucessivamente) e assim será.

para Odur




QUARTO DIA


Minha vontade era de estar contigo, sem importar-me com interpretações que venham a ser feitas sobre isso -, não me sinto a caminho do Gólgota pelo fato de amar demasiadamente. Basta a realidade mais divertida do que uma completa incredulidade na existência do Amor. E se me olhas resolutamente nos olhos, posso saber onde reside a felicidade, e, contrariando a própria vida e suas maledicências eu me percebo um novo ser, quando em suas mãos vivencio o crescimento da minha alma. Encerra-se a solidão e eu sou capaz de fazer versos...

para Odur