domingo, 3 de outubro de 2021
INSONDÁVEIS FLORES DE LÓTUS
sábado, 28 de agosto de 2021
AS TRÊS PERGUNTAS
Respondi três perguntas feitas pelo Presidente da Academia Poética Brasileira, o jornalista e escritor Mhario Linconl
ML- O QUE MAIS
TE SURPREENDE EM TUA POÉTICA?
LL- O que tem me
surpreendido na minha poética é o retorno crescente que venho recebendo, até
mesmo porque é muito difícil transitar no meio literário onde existem cobranças
e julgamentos e criticas muitas delas negativas e quando não destrutivas, ao menos são desanimadoras. No meu caso a resposta tem sido muito satisfatória e isso vem refletindo na minha escrita que está mais consistente, mais madura o que é muito
bom para mim, para a minha evolução não apenas como poeta, mas como ser humano.
ML- AS
VERDADES DO MUNDO SÃO AS SUAS VERDADES?
LL- NÃO, a minha
verdade nada tem a ver com as verdades do mundo. Eu sei o que é compaixão e
esse entendimento me torna mais sensível diante do sofrimento alheio e mais
crítica perante desigualdades e dissimulações. A minha verdade age de forma
explícita, porém silenciosa, mesmo sem a necessidade de ser mencionada, ela é
genuinamente verdadeira.
ML- QUAIS A
CERTEZAS QUE A VIDA NOS OFERECE?
LL- A meu ver a
vida nos oferece duas certezas: a escravidão e a morte. Cada dia a humanidade
se torna mais dependente de bens materiais, posição social, domínio familiar e relações afetivas
conturbadas, amizades superficiais e outros. Quando há um rompimento em algum
destes segmentos, há um descontrole emocional e a realidade mostra que a vida embora
frágil e efêmera, é uma armadilha em busca de presas fáceis. Nós somos as
presas, mas esse despertar permite conhecer genuinamente a nossa capacidade de
desenvolver um potencial de liberdade e reger a própria vida. Diferente da
morte que não podemos evitar, contudo, podemos aprender que a morte não é o fim,
mas expansão da consciência.
*foto: Mhario Lincoln, advogado, jornalista, presidente da Academia Poética Brasileira e Embaixador Universal da Paz com Luciah Lopez
segunda-feira, 26 de julho de 2021
O SEGEREDO DA PROFESSORINHA
FACETUBES
BrasilTextos EscolhidosUm conto-thriller-erótico de muita dinâmica e arrepios escrito por Luciah Lopez, da APBCenas fortes. Conteúdo erótico.
25/07/2021 12h09Atualizada há 8 horas228Por: Mhario LincolnFonte: Luciah Lopez
O SERGREDO DA PROFESSORINHA
Luciah Lopez, da Academia Poética Brasileira
Foi numa manhã de primavera que ela chegou a Areia Branca, uma pequena cidade do interior. Todos os moradores em polvorosa, pois nunca tinham visto uma beleza igual. Parecia um anjo caminhando com passinhos rápidos fazendo o vestido florido esvoaçar. Um ano após a sua chegada, e totalmente inserida na rotina da cidade tanto que os seus moradores tudo faziam para cair nas graças da professorinha de biologia. A "macharia" disponível coloca à disposição para acompanhá-la aos passeios e a missa aos domingos ou mesmo, para carregar suas sacolas de compras, mas ela nem ai pra tanto chamego.
Até conhecer Redclif. Foi paixão à primeira vista e logo no dia de Santo Antonio o padroeiro de Areia Branca. Padre Olavo não pensou duas vezes e foi abençoando a união. As baratinhas de sacristia, ops! -, as beatas seguidoras do padre, encontram um novo assunto para fuxicar - o novo casal de Areia Branca, igual dois pombinhos arrulhando pelos arredores da cidade. Tão logo Maria da Fé, ficou sabendo do namoro, criou coragem, tomou a liderança e foi falar com a professorinha, avisando sobre o moço, que nada tinha de 'bom moço'-, era um papa virgem! Filho mimado de “seo” Ludovico que ensinou ao filho, como tirar um cabaço de donzela. De nada adiantava os lamentos de dona Candoca, pois o filho seguia fazendo alegria do pai: "mulher é igual cabrita, gosta de ser fodida". Mas a professorinha estava cega de amor e não deu ouvidos ao falatório e, foi logo dizendo: -Comigo vai ser diferente, vai ter que casar! O namoro continuou e tudo foi preparado para o casamento dos dois na próxima festa do santo casamenteiro, e assim foi. Ela de véu e grinalda, cheirando a flor de laranjeira. Ele num terno cinza de risca de giz, impecável até no brilho dos sapatos, esperou por ela no altar.
Contrariando os bons costumes, a noiva entrou sozinha, já que não tinha nenhum parente pra fazer as honras e entregá-la no altar. Padre Olavo reclamou, resmungou e acabou aceitando a modernidade. Festa das boas, muita comilança, bebida e muita música até a despedida dos noivos, que aos beijos, seguiram pra lua de mel. Redclif estava afoito, passou um ano inteiro tentando uma bolinadinha, uma mão boba, mas a professorinha incisiva: "Só depois de casada!" -, e assim foi. Na lua de mel, a professorinha teve mais orgasmos que estrelas no céu. A paixão aumentou e de noite, o feitiço do amor era na base de beijos e muita gemeção. Dois anos se passaram. A vida da professorinha já não era o mar de rosas -, Redclif saia todas as noites com os amigos, indo jogar um carteado, uma sinuca ou mesmo tomar umas doses de Rabo de Galo num boteco da periferia, de onde saia acompanhado de alguma moleca espevitada e disposta a servir de cabrita gemedeira, sempre de quatro no banco de trás do carro, estacionado em lugar ermo. Depois de muita safadeza, Redclif deixava a cabritinha mamadeira no mesmo boteco e voltava para casa altas horas da madrugada, envolto numa aura de perfume barato, manchas de batom e as costas arranhadas. Deitava ao lado da mulher sem se preocupar com maiores explicações.
A professorinha estava 'prenha' e cheia de vontades de comer pepino com geleia, jaca com torresmo, chupar limão, roer caco de telha e outras coisas mais, tentava inutilmente conversar com o marido, mas Redclif estava sem saco pra tanta falação de mulher buchuda, já que estava de olho em Melinda, a filha do alfaiate que fez o seu terno de risca de giz. Menina nova, magrinha, corpo bem feito, seios durinhos sempre soltos dentro da blusinha de alça, a cinturinha fina, a bunda empinada, as coxas grossas e o andar espremido de cabritinha virgem doidinha pra gozar. Ele não se fez de rogado e espichou a conversa, cercou pra lá e pra cá, até que Melinda aceitou as flores, bombons, perfumes e acabou nua dentro do carro gemendo igual gata no cio e arranhando as costas de Redclif. Em casa a professorinha prepara o banho do marido e percebe os arranhões, as mordidas e chupões pelo pescoço. Ela não falou uma palavra sequer, mas também não pregou os olhos e quando Redclif acordou, não encontrou a mulher, procurou pela casa toda e não a encontrou. Foi até a casa dos pais e nada sabiam sobre o paradeiro da professorinha. Nas ruas, na igreja, na padaria, ninguém soube dar uma informação sequer.
Dois dias se passaram e até Mané Polícia foi acionado para fazer as buscas pelas redondezas e as beatas de padre Olavo já estavam nas orações. Na manhã do terceiro dia, um táxi vindo da capital, parou em frente ao portão da casa de Redclif e a professorinha, desceu ainda mais barriguda que antes. Foi uma falação sem fim! Todos querendo uma explicação e ela nada -, nem ai! Depois dos ânimos calmos, ela avisou ao marido, que durante aquela noite, recebera uma ligação avisando da morte súbita de um parente distante e, que deixou como herança uma casa, numa cidade próxima. Disse também que gostaria ir com ele, passar uns dias, antes do filho nascer, seria igual a lua de mel - só os dois. Redclif não pareceu entusiasmado, mas quando ela sussurrou em seu ouvido: "Se você for, eu deixo você me foder por trás igual uma cadela no cio"-, ao ouvir essas palavras, ele teve uma ereção! Aceitou na hora e partiram em viagem ao final do dia, mesmo sob os protestos de dona Candoca e das beatas alegando que mulher prenha não pode sair por ai sem paradeiro porque isso faz a criança virar e isso dificulta o parto. Durante a viagem, ela foi bolinando o marido a ponto do seu pênis latejar.
Ele se deixava levar pelos pensamentos, afinal, teria o seu prêmio tão cobiçado desde que bateu os olhos na professorinha. Já era noite alta quando chegaram a tal casa, um velho sobrado com vários quartos e uma sala ampla, uma boa cozinha, banheiros, um sótão e um porão que certamente cheirava a mofo. Afastada da cidade, não tinha vizinhos por perto. Parecia uma velha casa abandonada não fosse pela luz acesa. Redclif levou a única mala que trouxeram e também uma grande cesta com as coisas para o lanche da noite. Enquanto Redclif leva a mala pra o quarto, a professorinha arruma a mesa com bolos, sucos e sanduíches e serviu ao marido vários copos de suco e muito carinho. Deram risadas e ele falou sobre o que fariam logo mais e de como ela ia gozar e gemer feito uma cadela vadia. Ela sorriu. Ele sentiu uma comichão que começou nas partes baixas e foi subindo pelo corpo todo, um torpor. Sentiu a boca amarga e seca, quis tomar mais um pouco de suco mas não conseguiu segurar o copo. Tentou ficar em pé, mas as pernas não sustentaram o peso do corpo.
Caído no chão, Redclif levanta os olhos para a professorinha-, ela sorriu! Ele não consegue se levantar. Braços e pernas não obedecem. Sua cabeça lateja, sua visão embaçada e a boca seca. - Sua cadela, o que você fez?! Eu vou acabar com você, sua vadia! Sem dizer uma só palavra, a professorinha se levanta, vai até a mesa onde deixou a bolsa e volta com alguns rolos de fita adesiva. Ajoelha-se ao lado do marido e calmamente coloca a fita adesiva sobre a boca de Redclif dando varias voltas em torno da cabeça o impedindo de gritar os palavrões e ameaças. Ainda sorrindo, ela junta as mãos do marido e prende os pulsos com várias voltas de fita adesiva fazendo a mesma coisa nos tornozelos.
Depois delicadamente segura os seus pés e tira os sapatos, o cinto, o relógio e a aliança e guarda junto com os rolos de fita na bolsa. Caminhando lentamente, ela passa junto ao marido que se debate, parecendo um verme tentando inutilmente gritar. Ela vai até a porta que leva ao porão, abre, acende a lâmpada. Volta até Redclif e ainda sorrindo, olha direto em seus olhos e percebe que ele esta apavorado. Ela o segura pelos pés e começa a puxá-lo. Precisa fazer muita força, pois além do peso do marido, a sua barriga a impede de movimentos rápidos. Ao final de alguns minutos e muita força, Redclif está deitado no piso frio do porão. A luz fraca e amarelada, quase não o deixa ver nada ao redor a não ser que a janela esta pregada com tábuas. Redclif se debate, as pernas e os braços não reagem e sua cabeça lateja. O medo toma conta do seu corpo, ele tem um único pensamento: Ela vai me matar! Em pânico se lembra que não contou aos pais para onde iam em lua de mel. Ninguém sabe onde estão. Nesse instante a professorinha se ajoelha e o beija na boca por cima da fita adesiva. -'Você vai ficar em boa companhia!' Ele se debate e sem poder falar nada, vê a mulher se levantar e sair do porão, subindo as escadas bem devagar. Ela apaga a luz e ele ouve a porta se fechar. Tudo é silêncio. Um escuro profundo como o pavor que se apossa dos seus pensamentos. Ele tenta respirar naquele negrume enquanto o suor se mistura às lágrimas que correm pelos cantos dos seus olhos.
O ronco do motor do carro chega aos seus ouvidos, ele compreende que ela está indo embora, mas ainda tem um breve pensamento abestalhado pelo medo: Ela está me dando um susto, vai ver descobriu sobre a cabritinha e está me dando um corretivo. É isso! Ela vai voltar, ela me ama! O carro se afasta e tudo volta a ser um silêncio negro e no meio desse silêncio, algo faz barulho no porão. Redclif sente o coração acelerar no peito. Continua a ouvir algo se arrastando no canto embaixo da escada. O pavor toma conta do seu corpo. De todos os seus poros vazam um suor de medo. Totalmente tomado pelo pânico, a urina e as fezes escorrem quando Redclif sente a presença do imenso réptil ao seu lado, com a língua bifurcada sibilando, farejando o seu medo - uma anaconda. Redclif fecha os olhos...
O dia amanhece em Viradouro, uma pequena cidade muito distante de Areia Branca, onde uma mulher que mais parece um anjo, dá à luz uma criança que nasce sorrindo.
sexta-feira, 2 de julho de 2021
ESTRELAS CADENTES
Às vezes maravilhava-me com o brilho da lua, não obstante, meu espírito renunciar a um possível voo lunar, eu quis escrever um poema como se fosse um mapa porque hoje, um pouco me perdi. E com o coração pulsando enquanto conversava comigo mesma, ouvi minhas várias vozes repetidamente me contando histórias, as minhas histórias. Pouco a pouco emudeceram e, uma súbita incerteza se apossou do meu único pensamento – quem eu sou? A minha estrutura enclausurada pressentiu o abraço dos tentáculos da noite e, o terrível e amargo instante que se seguiu, empalideceu a minha tez, realçando a cicatriz – a emenda dos meus vários eus. E no mundo luminoso iniciou-se uma nova florada de estrelas cadentes...
sábado, 10 de abril de 2021
DE ONDE EU O CONHEÇO?
_______ estranho e inquieto é objetivo Tempo. Traz as lembranças e o amor desenhados na pele alva dos papiros. E no retorno à claridade dos dias, insisto em perguntar: - De onde eu o conheço?! Não há caminhos entre os veios da memória, que eu não os tenha percorrido, sem contudo, encontrá-lo. Haveria talvez, um outro caminho, que em algum ponto tenha se cruzado com o meu e assim, deixado as suas marcas indeléveis para que pudesse encontrá-las?! Os meus ouvidos são acostumados às suas palavras e a sua risada faz eco no meu coração. As marcas que no pó da eternidade servem de molde aos seus pés, e as suas mãos se encaixam nas minhas mãos, como se o fossem correspondentes pares. Minha sombra reconhece a sua sombra e na minha boca -, a sede é da água da sua boca. Os seus olhos enfeitiçam o meu olhar tal qual nachash enfeitiça o olhar do pássaro. Minha alma se perdeu da sua alma e havia de sofrer o medo da solidão absoluta - a noite sem lua e nem estrelas. E todas as manifestações de tristeza se passaram por mim e antes que me pudessem consumir, me sentei à sombra da grande árvore e perguntei: - De onde eu o conheço?! E a serenidade da resposta, foi como o perfume dos narcisos, que à beira d'água, desabrocham seu olor embriagando nosso olfato, nos dando a salvação de sermos dois em um.
imagem: Sementes ao Vento
Aquarela sobre papel Canson
Luciah Lopez
quarta-feira, 7 de abril de 2021
NATUREZA ÍNTIMA
Tantos são os caminhos e tantos são os
espaços que se apresentam em busca de uma postura interna como forma de
redenção. O destino permanece na
condução da existência humana auxiliando aqui e ali nas tentativas de avanços
vitoriosos sobre a própria vida. Cada passo dado ordena sucessivos desejos, e
as oportunidades de realizá-los se tornam visíveis, tão logo sejam avistadas - flores
na linha imaginária do horizonte.
Imagem: Série Flores
Aquarela sobre papel
Luciah Lopez
domingo, 4 de abril de 2021
ESQUINAS
“E era outra a origem da tristeza.
E era outro o canto que acordada o coração para a alegria.
Tudo que amei, amei sozinho".
Edgar Alan Poe
ESQUINAS
Não me compadeço deste grito que alcança o infinito e chega escorrer enquanto as portas se fecham. Não me compadeço deste horizonte entalhado, que aparta o dia e a noite incendiando cartazes de ninfetas esquálidas, erráticas. Anjos da discordância que sucumbem na solidão cárnea que arrebata a cor de cada olho cego. Não me compadeço nem deste sol a pino que seca a mão e o ventre daquela que inutilmente pode parir, e esconde sob o lençol sujo de sangue e barro, colocando-se na mira das carabinas. Não me compadeço destes pássaros famintos e suas asas abertas, estendidas nas paisagens da imaginação revelando a densidão de cada voo, nem das suas carnes magras que revestem a brancura dos seus ossos enganosamente imortais. Não me compadeço desta multidão enlouquecida e seu cheiro de urina e suas sombras decapitadas e seu riso febril, instrumento das ladainhas que mistura angustia e cal, no pão seco dos filhos desta fome. Não me compadeço dos meninos e suas dores, do sono dos homens, das mãos calejadas, do relógio que desandou, da aliança que não se fez, do sonho que acabou, do cheiro do estrume, da lágrima da virgem, do pó da terra, do leme do barco, da vida em riste, do muro triste, da menina que ri. Não me compadeço do amor e seus tormentos, seus véus caídos, seus aleijões, sua desfigurada sonolência, sua incerteza, sua covardia, sua dor e seu humilhante ofício de enganar. Não me compadeço da vida nem da morte. O que me seduz é esta desesperada solidão arquejante aflita, quente, sofrida. Me engolindo, me castigando a amplidão do olhar que ainda contempla noites frias e azuis onde o silencio propicia o corte preciso e suave e o gotejar solene deste vermelho delírio insano que corre em mim.





