domingo, 9 de janeiro de 2022

ME CONVIDA PARA DANÇAR...




ressuscita-me desse absurdo de horas perdidas em constantes caminhadas pelos becos da memória onde não se acha ninguém ___________ até mesmo a sombra desgrudou, isso acontece, né? mas eu vou sacudir o corpo numa janela como é costume fazer com as toalhas cheias de migalhas de pão após o café... doravante serei um cérebro serei surpreendida num voo sem asas [não preciso de asas] basta um fechar de olhos e o retrato que está sobre a mesa me convida para dançar...  

Who cares if one more light goes out? In The sky of a milion stars...

incontáveis galáxias dentro dos meus olhos acendem suas estrelas e os cometas cortam os sete céusnada mais a fazer, o pássaro é livre - a imensidão cabe dentro do meu peito.


imagem: Sinapses

colagem sobre papel

Luciah Lopez

domingo, 2 de janeiro de 2022

UM OLHAR NA SOLEIRA DO MUNDO


 Passaram-se vários anos antes que eu descobrisse aminha relação com o universo, tudo o que eu via era diverso do meu espírito. O mundo se replicava aos meus olhos sem que eu fizesse parte de nenhum fragmento que por ventura pudesse enxergar. Tudo era uma crescente negativa - e tudo me importunava obrigando-me a uma constante solidão. Uma ferida invisível era o escudo e em meio à tarde, eu era  a noite. Experimentei o significado da inexistência, o que acabou por deter-me à flor de mim mesma. Compreendes? Compreendes a dor de uma criatura que não pertence a lugar nenhum?! Fecho os meus olhos e a sinuosidade luminosa estabelece contato - nada mais me fala de quaisquer tristezas que provenham de impressões mal explicadas. Novamente  eu vejo a luz. Novamente eu sou a luz e o desenho da vida é refletivo. Singularmente colorido e quente e me atrai o olhar sobre a soleira do mundo. A tais impulsos me entreguei e aquilo que a minha curiosidade buscava passou a fazer parte da minha alma primitiva, inspirando-me os sonhos me aproxima da paixão por estar viva, livre e poder amar.


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foto: LL


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

FELICIDADE

 



Todos nós desejamos a felicidade, seja em qualquer estágio da nossa vida, costumamos verbalizar esse desejo de forma a torná-lo mais próximo, mais real. Damos o que temos, fazemos o que podemos para superar nossas dificuldades, essa é a "meta de excelência" que levamos vida afora. Muitas vezes nos tornamos vulneráveis, porque supúnhamos estar vivenciando uma felicidade duradoura, coisa que nem sempre acontece, contudo, a maturidade também nos ensina a resolver nossas dificuldades mediante aprendizados até mesmo dolorosos. Posso dizer que aprendi algumas lições, neste último período da minha vida, tive alguns sobressaltos, algumas situações conturbadas mas, as respostas vieram dos mais inusitados lugares e formas; confesso que eu ansiava pelo término deste ano de forma a não carregar mais angustias ou medos. Finalmente tudo fará parte do passado e a inspiração é privilégio que me acompanha, todavia, não posso me esquecer que as dádivas que Deus nos concede, devem ser constantemente divididas para que se multipliquem. Pensando assim, costumo não fazer julgamentos ou críticas que possam causar mágoas, somos o sal, porém não temos o direito de salgar feridas alheias. Estou priorizando a felicidade de ter momentos comigo, de me conhecer e superar minhas limitações, dirigir a própria vida é gratificante, tão gratificante que se torna possível receber outras pessoas e sorrir e sonhar e fazer novos planos. Quem não for diverso a mim, será sempre bem vindo, pois a vida é uma via de mão dupla. Vambora viver!!


Feliz 2022!



quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

UM ORGASMO DE TODAS AS CORES

 


Respira-me entre as tintas entre as cores, sobre  papéis e folhas, respira-me. Respira-me entre os livros amarelados e velhos jornais estereotipados. Respira-me na ausência da luz e na sombra das velas, nos cantos nos becos, nas ruas e nos campos, respira-me. Respira-me na terra úmida, na relva, nas flores, nos frutos maduros. Respira-me no olhar dos bichos, na cantoria dos pássaros, na malemolência dos rios, na alma dos peixes, respira-me! Respira-me nas tuas mãos a extrair da terra a gema preciosa, a pedra encantada - o olho do dragão. Respira-me quando preso à tua vestimenta de homem, respira-me na tua pele nua - vestimenta de macho que ao me possuir derrama-se em suores saciando a minha sede liberta-me de todos os pudores dissipando a condição dogmática que me impede o retorno ao primitivo. Respira-me pelos teus poros, pelas tuas veias, pelas tuas entranhas, pelos teus olhos, através dos teus sentidos. Respira-me pelo teu sexo - elo entre os mortais - respira-me até eu me adonar de ti e não restar mais nada nem de ti e nem de mim na combustão dos corpos um orgasmo de todas cores e a finalização do homem  no renascer do sagrado. Respira-me...



Imagem: Obra do artista plástico Dhi Ferreira - Curitiba PR

www.dhiferreira.com.br

domingo, 19 de dezembro de 2021

A ILUSÓRIA DA LUZ


Um dia eu resolvi me calar. Examinar os aspectos da vida pode levar anos e, todos os pensamentos fragmentados serão novamente avaliados de forma um pouco mais madura. Sei perfeitamente que nem assim, as nossas virtudes serão maiores que nossos defeitos - isso aos olhos de quem nos vê e, contudo, não nos enxerga. Daqui, onde eu me encontro, posso dizer que finalmente me encontrei. Houve um processo interior, um desapego existencial não aflitivo, não sofredor mas, necessário na linha evolutiva vertical. Por outro lado, a geometria sagrada presente em todas as coisas me revestiu de um forte sentimento de compaixão - posso finalmente olhar e enxergar  sem transgredir as leis naturais mas, isso não me torna melhor do que ninguém, apenas não mais  vinculada a uma condição ilusória que oferece brilho para quem não sabe acender a própria luz.


imagem: Sossego

                                                                                        aquarela s/papel Canson

       Luciah Lopez

   


domingo, 3 de outubro de 2021

INSONDÁVEIS FLORES DE LÓTUS



 A noite sobe pelas minhas costas enquanto a sua voz, e o seu cheiro, aguçam os meus sentidos. Todavia senti um sobressalto, quando percebi a ausência de estrelas no céu. Todo pensamento pairou sobre mim, e a imensa ventura de não estar só, emergiu como as flores do lótus enfeitando o relicário dos meus olhos. A noite e seus excessos tenta amiúde abocanhar os meus sonhos, a enlouquecer-me enquanto os meu lábios prelibam os seus beijos e as minhas mãos, nitidamente o acompanham na poesia do existir. A propósito do anjo que me fala ao ouvido, se eu não estivesse a folhear os meus dias, jamais o teria encontrado. Seriam os meus dias o resultado de uma obra inacabada não fosse a sua presença sacudindo o tempo obscuro e colocando estrelas no céu da minha boca. Há algo de eterno nas estrofes que eu sigo esculpindo, e não é mais um estranho que se debruça sobre a escrita como um tradutor, mas como um maestro que rege sua orquestra e faz nascer a música que dará sentido a todas as noites.



imagem: Catrin Welz-Stein

sábado, 28 de agosto de 2021

AS TRÊS PERGUNTAS

 

 



Respondi três perguntas feitas pelo Presidente da Academia Poética Brasileira, o jornalista e escritor Mhario Linconl


 ML- O QUE MAIS TE SURPREENDE EM TUA POÉTICA?

LL- O que tem me surpreendido na minha poética é o retorno crescente que venho recebendo, até mesmo porque é muito difícil transitar no meio literário onde existem cobranças e julgamentos e criticas muitas delas negativas e quando não destrutivas, ao menos são desanimadoras. No meu caso a resposta tem sido muito satisfatória e isso vem refletindo na minha escrita que está mais consistente, mais madura o que é muito bom para mim, para a minha evolução não apenas como poeta, mas  como ser humano.


ML- AS VERDADES DO MUNDO SÃO AS SUAS VERDADES?

LL- NÃO, a minha verdade nada tem a ver com as verdades do mundo. Eu sei o que é compaixão e esse entendimento me torna mais sensível diante do sofrimento alheio e mais crítica perante desigualdades e dissimulações. A minha verdade age de forma explícita, porém silenciosa, mesmo sem a necessidade de ser mencionada, ela é genuinamente verdadeira.


ML- QUAIS A CERTEZAS QUE A VIDA NOS OFERECE?

LL- A meu ver a vida nos oferece duas certezas: a escravidão e a morte. Cada dia a humanidade se torna mais dependente de bens materiais, posição social,  domínio familiar e relações afetivas conturbadas, amizades superficiais e outros. Quando há um rompimento em algum destes segmentos, há um descontrole emocional e a realidade mostra que a vida embora frágil e efêmera, é uma armadilha em busca de presas fáceis. Nós somos as presas, mas esse despertar permite conhecer genuinamente a nossa capacidade de desenvolver um potencial de liberdade e reger a própria vida. Diferente da morte que não podemos evitar, contudo, podemos aprender que a morte não é o fim, mas expansão da consciência.

 


*foto: Mhario Lincoln, advogado, jornalista, presidente da Academia Poética Brasileira e Embaixador Universal da Paz com Luciah Lopez