sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRISTITIA


TRISTITIA

A necessidade de viver e amar tem níveis tão profundos quanto as dificuldades para encontrar respostas a todas as minhas perguntas. Quero evoluir, mas carrego a tatuagem de todas as dores na alma e a solidão de todas as existências me toma de forma assustadora. Quando eu olhei para você pela primeira vez, o que senti foi o que me manteve disposta a nutrir de forma carinhosa, o sentimento que chamo Amor. Durante anos de busca e espera, eu não perdi o interesse em reconhecer seus traços através da leitura de sinais, que podem (eu sei) ser frutos do delírio da minha alma que é viva poesia. Busquei em você a alma gêmea, a imortalidade do verbo e a pressa da palavra sã, a calma do rio na ribeira e fúria do mar,  a paciência das nuvens e ferocidade dos raios, a duvida dos  caminhos e a sabedoria dos ventos. Busquei em você o amanhecer e o entardecer. O dia e a noite. O sol e a lua. A boca e o beijo. A mão e o afago. A verdade e a luxúria. Busquei em você o avesso da tristeza e a alegria do reencontro. Sonhei desesperadamente até perder a conta dos dias, até que o Tempo parou de existir e o passado e presente se misturaram diante de mim como um eclipse lunar/solar que me fez perder as minhas dimensões e eu passei a ser você. A certeza da minha felicidade é a sua existência assim como a minha tristeza é a certeza da sua ausência.
la tristezza non ha fine
tristesse n'a pas de fin
la tristeza no tiene fin


para Odur 




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