quinta-feira, 13 de agosto de 2015

RE(flexões)



RE(flexões)

A hora é rasa e o frio é espesso
e nos arbusto que eu vejo através da janela,
os pássaros buscam abrigo.
... dos poros da noite os medos exalam
penetrando a boca e trazendo de volta o gosto acre do mosto
____ a pressa abortou o vinho
arrancando dos meus pensamentos
um padecer que insiste em amar...
...não sei ao certo o que são estes retalhos de loucura
jogados aos meus pés. Será que isso é o amor?!
Um quase enlouquecer diante do retrato borrado
mantendo a rebelião dentro de si... Talvez seja assim o amor,
uma alegria que não se ajusta à casa nem ao quintal...
Nem mesmo ao Tempo, pois este nos convida a empilhar pedras;
ali, bem no colo da solidão.


imagem: Google


sexta-feira, 29 de maio de 2015

ELE


ELE

Com a mão ainda trêmula seguro com força a chave do carro dando a partida, enquanto ouço a porta bater forte e o vejo se afastar com passos rápidos, indo em direção a outro carro, no lado oposto ao meu. O estacionamento está vazio - coisa rara, mas talvez tenha sido fator preponderante para o que aconteceu. Resumindo: Sexta feira, fui me encontrar com Mariana e Odila no Bistrô do Victor, no Shopping Barigui. Sempre fazemos nosso Happy Hour um pouco mais tarde, para evitar a hora do rush e pouca gente no Shopping. Quando me dirigia ao Bistrô, duas crianças esbarraram em mim, me desequilibrando a ponto de derrubar minha sacola e o meu notebook. Fiquei irada! Foi nesse momento que 'ele' se aproximou. Juntou as coisa que estavam pelo chão e sem uma palavra sequer, as entregou em minhas mãos.
_________ mas e o olhar! Meu Deus! O olhar... quase me virou pelo avesso. Peguei a sacola e o notebook, disse um "obrigada" e sai apressada indo ao encontro das meninas. Entre risadas e muitas piadinhas, acabei esquecendo o incidente ou quase esquecendo, porque "ele" também foi ao Victor. Escolheu uma mesa próxima, colocou o seu violão sobre uma cadeira e me permitiu olhar naqueles olhos... Meu Deus, o olhar!!! Finalmente, a hora de ir embora. Mariana e Odila tinha deixado o carro bem longe de onde deixei o meu, então, nos despedimos ali mesmo e eu me dirigi ao estacionamento. Quando abri a porta do carro, senti as mãos fortes me segurar pelos braços e ouvi a voz 'dele' me dizendo - Oi! 
Senti imediatamente sua boca procurando a minha nuca e seus lábios beijando a minha pele, por entre os meus cabelos enquanto com uma das mãos enlaçava minha cintura, com a outra, tocava meu seio por cima da blusa. 
Amoleci! Senti a pele arrepiar. Tentei me soltar, tentei gritar mas o beijo intenso me fez calar. Forçando a minha entrada no carro, reclinou o banco e impôs o seu peso sobre mim. Desejei então aquele peso e rapidamente ele levantou a minha blusa e eu senti os meus seios sendo beijados e sugados com fúria, e com as mãos, ele ergueu minha saia e rasgou minha calcinha, e meu corpo foi sendo percorrido de cima abaixo me fazendo vibrar ao toque daquela boca.
e num movimento brusco, ele se colocou entre as minhas pernas e numa estocada forte, me penetrou fundo varias vezes e suas mãos segurando em meus ombros e sua boca e sua língua e seus olhos... Meu Deus, aqueles olhos! Eu vi naqueles olhos o momento do gozo e imediatamente ele se retirou de dentro de mim, se recompôs ficando em pé ao lado do carro esperou um pouco até eu me recompor então bateu a porta e foi embora. Minhas mãos tremulas, minha cabeça pronta a estourar, mas eu compreendo esse sorriso que insiste em permanecer nos meus lábios...


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FELIZ 2015



Nós, criaturas humanas imbuídas de esperança, acolhemos o novo ano que se aproxima, com o nosso espírito em festa. Certos da concretização de sonhos, projetos e mesmo dos anseios mais secretos, muitas vezes nos esquecemos de regras e acabamos por engavetar muitos desejos. Por outro lado, é importante lembrar que, a realização de qualquer projeto de vida, por mais ínfimo que seja, requer o nosso esforço sempre supervisionado pela determinação.
Tudo neste Universo tem seu lado positivo. Tudo se mantém em equilíbrio e mesmo que não consigamos entender as coisas num primeiro instante, basta tomar um pouco de consciência para que tudo seja esclarecido. Nunca é tarde para sonhar, para despertar a criança interior que cada um de nós possui. Nunca é tarde para sorrir, para abraçar, para dividir um aperto de mãos, como também nunca é tarde para perdoar! A cada ano que consigo vencer, eu tenho procurado o exercício do perdão, da paciência, da humildade - porque acredito serem de grande valia para que  possamos estar num estado de felicidade amplo e uma vez nesta amplidão, nos tronamos capazes de dividir a felicidade com outras pessoas.
Então, eu agradeço a cada um de vocês, que de alguma forma estiveram presentes na minha vida, seja amigo virtual ou aqueles a quem tenho o privilégio de abraçar vez ou outra - agradeço o carinho e o respeito com que sempre me recebem e saliento novamente a importância da amizade de vocês.
Desejo que este ano nos abrace com toda essa luminosidade, todo esse calor e faça de nós a cada dia, pessoas mais próximas do entendimento das palavras desse Deus Misericordioso e Único.
Tenham todos o meu carinho meu repeito e minha amizade e que possamos "juntos" vencer mais este ANO NOVO!


com Odur





Um feliz e abençoado 2015 para todos!


foto: Bruno (meu filho)




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

UM CONTO DE NATAL


Um Conto de Natal

Parado diante da árvore de Natal ele intensifica o olhar
no brilho dos enfeites coloridos. Seu olhar percorre com a inocência típica da infância, toda seqüência de cores e o brilho onde ele poderia voar... 
Queria voar para além daquele tempo e daquela inocência. Voar para dentro daquela bola de cristal que guarda uma paisagem de outras terras. Queria uma paisagem natalina com neve caindo no seu rosto sardento e abrir um enorme sorriso sem se lembrar da “janelinha” [ele estava trocando os dentes] e isso deixava o seu sorriso um tanto restrito. Queria sentir o frio e a maciez da neve... Queria conhecer a neve. Queria conhecer outros lugares outras terras. Era inquieto em seus pensamentos “voadores” e voava, voava...
Estava tão ausente que não ouviu os passos do pai apenas sentiu a sua mão pousando em seu ombro forçando-o a realidade. Olhou a volta viu as irmãs brincando. Ouviu a conversa da mãe e da irmã enquanto preparavam os pratos que seriam servidos no almoço de Natal. A “ceia” não tinha importância para quem acorda com os primeiros raios de sol. Pensava nisso tentando distinguir os aromas que vinham da cozinha onde o fogão à lenha ardia a chapa e aquecia o forno de onde saiam os biscoitos em formatos de árvores, botas, estrelas e cometas e que depois de frios eram confeitados pela mãe com glacê colorido e pequenas bolinhas prateadas. Gostava disso. Açúcar colorido e azedinho. Gostava disso.
Gostava do Natal. Era bom porque ganhava sempre algum presente. Um dia ganhou um cavalinho de madeira e virou um Príncipe e salvou a Princesa lutando contra um dragão e lutou por vários e vários dias até o cavalinho perder um olho depois o outro e ficar esquecido lá no porão. Teve também um cata-ventos azul e vermelho e um pião colorido que girava, girava muito, mas este se perdeu nas águas de um rio. E vários livros cheios de letras que lhe contavam estórias enquanto dançavam diante dos seus olhos.
A chegada de alguém interrompe seus pensamentos. São os tios e primos que vieram para o Natal. Muito riso e brincadeiras. O pai sempre alegre, a mãe tão carinhosa a casa cheia de gente e o perfume das comidas o faziam desejar que o tempo não fosse adiante. Lembra-se de ter pedido isso ao Papai Noel. Pediu que o dia do Natal fosse sempre assim. E nem se percebeu que o tempo faz as coisas ficarem deferente. Um dia aquela bola de vidro com a paisagem natalina caiu e se quebrou. E o tempo tirou-lhe as sardas do rosto e o fez crescer. Deu-lhe barba, responsabilidade, mas manteve o mesmo sorriso e o mesmo olhar inquieto. Hoje ele olha uma árvore de Natal mais bonita e maior e pensa nas coisas que mudaram tanto. Ouve outros risos de criança, sente outros cheiros vindo da cozinha, mas não sente o peso da mão do pai em seu ombro nem ouve a risada da mãe lá na cozinha. Olha para os presentes embaixo da árvore. Não tem pião, nem bonecas de pano e nem mesmo o cavalinho de madeira... Um pouco decepcionado baixa o olhar e encontra uma bola de cristal com uma paisagem natalina. Lá dentro, brincando na neve fria está a Princesa que ele salvou do dragão. Ela o vê e sorri, abre os braços como se quisesse abraçá-lo. –“É Natal, meu amor!” ela grita –“Vem, vamos correr na neve, vem, eu te espero!”.
Ele esta tão ausente que não percebe os passos atrás de si até sentir o peso da mão em seu ombro e alguém chamando para a ceia de Natal. Ele, o Príncipe, olha novamente para a grande bola de cristal e a Princesa lhe joga um beijo e se vai. A neve continua a cair dentro da bola de cristal.



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O AMOR




O AMOR

Onde o amor reina é impossível não amar.
É impossível não deixar a Luz  benevolente
acalmar os grandes conflitos  e ampliar a consciência
reconhecendo a grandiosidade de cada amanhecer.

Onde o amor se instala como se não houvessem fronteiras
o espírito se adianta livre da repugnância
da aversão e do sarcasmo, e uma vez reconciliado com a Luz
assume a sua capacidade transformadora
sobre as sensações do pensamento reflexivo  dando
a cada um uma visão ampliada daquilo que somos em essência.

Onde o amor reina, a fonte da Água Viva sacia a sede,
e a escuridão e a sombra dão lugar à Luz da Vida
abominando a separação entre Criador e criatura.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

ALVORADA SEM GIRASSÓIS

ALVORADAS SEM GIRASSÓIS

Que o tempo adormeça você
para sempre em minhas lembranças
pois o amor adormece assim, quieto
calado à sombra dos pensamentos
para depois acordar, lá, bem longe
onde a saudade traz miríades de luz
para fazem brilhar
aquelas tristes alvoradas sem girassóis


terça-feira, 4 de junho de 2013

ALMA



ALMA


Deixa os meus medos
os meus receios e as minha angustias
adormecerem feito pedras
neste caminho de imensa dor.

Quem chorou aqui?!
Aqui onde as águias pousam
há olhos insones ((sempre observando))
enquanto as mãos encarquilhadas
tecem os fios do sisal
que mantém unidos __águia/homem.

E o Tempo, este caminhante alvissareiro
encurvado em sua marcha
traz o hoje e o amanhã em taças de fino ouro
de onde bebem immaculatam labium 
que clamam por nossos pecados
libertando-nos da alma e de toda nossa culpa.