sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SOBRE MENINOS E HOMENS


SOBRE MENINOS E HOMENS

Meninos sonham, homens apenas fazem planos.
Meninos vivem seus sonhos, homens fogem da felicidade.
Meninos empinam pipas ao vento, homens soltam mentiras...
Meninos sorriem, homens mastigam palavras.
Meninos choram, homens endurecem a alma.
Meninos rabiscam poesias, homens fazem leis.
Meninos andam livres, homens fazem dos pés suas profundas raízes.
Meninos abrem braços num abraço, homens cruzam os braços.
Meninos enfrentam seus medos, homens se calam.
Meninos sussurram, homens gritam.
Meninos falam verdades, homens criam ilusões.
Meninos amam, homens sentem gratidão.
Meninos são eternos, homens apenas morrem em seus sonhos...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AS PALAVRAS SÃO DE VIDRO



AS PALAVRAS SÃO DE VIDRO

Hoje eu passei o dia caminhando pelas trilhas entre as araucárias, quaresmeiras, bracatingas e outras árvores das quais eu não sei o nome... São apenas árvores erguendo seus braços/galhos em direção às nuvens (algodão no céu).
No silêncio da quase “mata” Atlântica, só o canto de alguns pássaros e o que quebrar de galhos secos( ! )...Talvez um tigre!! Shere Khan!!! Meu coração dispara. Penso em correr - mas, quem corre mais eu ou Shere Khan??! Sinto a adrenalina no meu sangue. Sangue?! Tigre fareja sangue e medo. Tenho medo... Fico em silêncio por longos minutos. Não ouço mais os passos apenas um farfalhar na grama seca... Um coelho! É isso. O coelho branco. Seguido pelo Chapeleiro Maluco enquanto Ceshire mostra o sorriso e as listras... Estou no MUNDO DE ALICE!

Uma sombra no chão... Uma ave gigante?! Harpias??!! Nãaaaooo! Apenas Aladim e seu tapete mágico. Uffffaaaaaaa! Ainda bem! Ali Babá, por aqui?! Cadê o tesouro?! Sou a Princesa?! Siiiiiiiiimmmmmmmmm!! Este mundo é meu!!
Tem Principe montado num cavalo branco. Não, o meu cavalinho é vermelho... Eu guardei o cavalinho para você?! Você é o Príncipe! Nosso país é real.
Aqui, não existe idade, tudo acontece! Era uma vez...Uma estórinha que virou verdade. A maçã alimentou a Princesa, assim como as palavras de vidro que o Príncipe falou... Palavras de vidro refletem na luz do sol... São tesouros - preciso guardá-las num baú... Meu coração/cofre/baú esta bem guardado, longe do gancho do Capitão onde só eu sei. Gravei um X no mapa que guardei para você. Siga-o. Meu coração será sempre seu...
Hoje, andei nos meus próprios rastros... Andei de mãos dadas com a criança que ainda mora dentro de mim e que ainda acredita nas suas palavras de Príncipe Encantado!



RODA D'ÁGUA



RODA D'ÁGUA


Da boca do fogão à lenha vinham os chiados e estalidos da madeira meio verde sendo consumida pelo fogo na pressa do calor e na mansidão de cozer o leite e assar o pão.
No arrastar dos chinelos de couro e no vai e vem do avental branco, um ramo de salsa cai ao chão enfeitando os ladrilhos vermelhos da velha cozinha. 


Na chapa quente o tostar do queijo faz dual com o café escorrendo do coador de pano [tão escuro de tantos banhos]e ainda mantendo o sabor dos grãos minuciosamente selecionados, torrados e moídos.

O crepitar da lenha faz voar vaga-lumes ardentes e entre dentes, um sorriso. No olhar brilhando, o alumínio das panelas. E do fio da faca, caem as cascas e nascem as doces: estrelas de laranjas, quadrados de mamão verde e no vidro quente - o colorido das compotas de goiaba, araçá, marmelo e carambola.
Um queijo, um beijo, goiabada e paixão – a vida de cheiros agridoce entre as tampas e o velho pilão. Nas réstias de alhos e cebolas, uma trança e um limão. 

Das gamelas sobre a mesa, o verde das folhas do agrião escondem os doces - caju, goiabas suculentas, graviolas e frutas do conde. Um pano branco bordado com os dias da semana, marca o tempo que não passa no calor dessas horas e da janela, o sol espia e se enfia no aconchego de um abraço entre um beijo estalado, um biscoito "casado" e um sorriso de maria-mole.
Água fria descansada no gosto do barro, escorre entre os goles, doces goles do vermelho das romãs. E das cinzas do borralho, surge o gato Mal me quer, que nada quer, a não ser dormir e sonhar odores.
O tempo e suas escamas coloridas brilham no olho do boi enquanto tudo gira num silêncio onde fermentam as saudades guardadas nas gavetas e nos armários. E no quintal as galinhas ciscam o chão descobrindo o segredo de germinar minhocas.
A roda d’água gira sem parar, gira sonhos, gira vida,
gira o tempo de todos nós.


ONDE COMEÇA A FELICIDADE


Onde Começa a Felicidade

Em cada momento da sua história do nascer, ao pôr-do-sol, escute o seu coração, experimente um carinho, busque prazer em tudo. 
Determine suas conquistas. Pequenas mudanças fazem a diferença. Potencialize seus objetivos...de bem com a vida, de bem com você!A felicidade é só uma viagem, um caminho do qual não se desvia; é um pequeno pedaço do paraíso a cada dia.
Comece agora, dê o seu primeiro passo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SEM ASAS PARA VOAR


SEM ASAS PARA VOAR

Neste arame onde penduro minhas horas 

a engrenagem do tempo
avesso do dia______________acena livremente no bordado dos ponteiros;
Que rodam e rodam e rodam 

contrariando cada segundo da vida
Enquanto o nervo acende na luminosidade
Do toque do cirurgião.
E depois... Depois?! Depois o quê?!
A morte é certa e sem pudor ou postura de lorde inglês...

É enegrecida, macilenta e triste?! Que tristezas além da vida que sucumbe calada, podem lamber os meus ossos, os meus pés e soprar sonhos? 
Não há nada! Apenas o silenciar deste 'tum tum tum' ininterrupto e preso nesta redoma sem asas para voar...
O mito cede lugar ao bem sucedido vazio – sem asas para voar!? Onde as deixei?! 

As minhas asas de borboleta/fada/anjo ou diabo?!
Talvez estejam contigo presas em suas costas, sendo elas, as minhas voadeiras/voantes/viajantes, são suas também.
Me vejo no espelho de cristal onde giram as cores e
Esfareladas guirlandas penduradas no pescoço
Esquálido que grita e regurgita uma canção dolente________________ Entristecida e chorosa enquanto rouba as letras do poema
Que eu te escrevi.


MOMENTOS


MOMENTOS

Caminho pela linha traçada no asfalto - pé ante pé - sem pressa, porquê a vida é assim sem pressa. Feito um ônibus, um trem que segue numa viagem em linha reta.
Quero ser avião, balão, foguete...
Quero ganhar alturas. Romper a membrana das manhãs, sobrevoar o verde e o azul sem fim do fim do mundo. Passar sob o arco íris e acordar em você.
Onde compro o bilhete?! Onde fica a estação?! Qual a rota a seguir?!
Preciso saber, mas o homem o bilheteiro caminha rápido demais e se afasta.
Preciso ficar na fila de embarque. Preciso olhar por cima das nuvens, onde os anjos fazem festa e tocam harpas em sol maior.
Espera!! Quero um bilhete, uma passagem, uma poltrona na janela. Espera, preciso embarcar... Preciso voar. Preciso...

OBLITERADO


OBLITERADO

A sombra percorre o subsolo
fundamentada na sua razão - exacerbada e circunspecta criatura,
caminha curvada na linha frágil,
tentando compreender seus rancores,
residos léxicos intensamente explorados
quando tenta convencer-se de que Deus existe.
Não obstante, sua alma imortal mergulha na inexatidão
e repugna toda e qualquer semicrença,
preferindo a obscura tirania que julga sem o menor pudor.
De que vale uma consciência ante o sofrimento
e a mesquinha falta de palavras
que o acorrenta e molesta-lhe o coração?
Em profundo infortúnio ele - a sombra, caminha
na clarividência insolente dos insatisfeitos,
adentrando cada vez mais na escuridão que perdoa os nossos
medos e calcifica os nossos ossos
numa planura de insignificantes lamentos.