quarta-feira, 5 de junho de 2013

ALVORADA SEM GIRASSÓIS

ALVORADAS SEM GIRASSÓIS

Que o tempo adormeça você
para sempre em minhas lembranças
pois o amor adormece assim, quieto
calado à sombra dos pensamentos
para depois acordar, lá, bem longe
onde a saudade traz miríades de luz
para fazem brilhar
aquelas tristes alvoradas sem girassóis


terça-feira, 4 de junho de 2013

ALMA



ALMA


Deixa os meus medos
os meus receios e as minha angustias
adormecerem feito pedras
neste caminho de imensa dor.

Quem chorou aqui?!
Aqui onde as águias pousam
há olhos insones ((sempre observando))
enquanto as mãos encarquilhadas
tecem os fios do sisal
que mantém unidos __águia/homem.

E o Tempo, este caminhante alvissareiro
encurvado em sua marcha
traz o hoje e o amanhã em taças de fino ouro
de onde bebem immaculatam labium 
que clamam por nossos pecados
libertando-nos da alma e de toda nossa culpa.




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

IMPERFEIÇÕES



IMPERFEIÇÕES

Há um tempo de cinzas onde o silêncio fala através de sinais
e as aves cantam a tristeza antes mesmo de aprender a voar. Há um tempo de sete sinais, sete segredos, sete leis regendo o equilíbrio e renovando o sagrado que existe em nós. Sábio é aquele que guarda o conhecimento original - e, livrando-se das imperfeições conhece o divino esta no homem e faz da sua 'vocação' um caminho para a eternidade.


*imagem: Viktor Vasnetsov - Pássaros da Alegria e da Tristeza



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TEMPO



...Não pense em mais nada!  Feche os olhos se solte na música _____pode ser qualquer uma ou essa que eu ouço agora. O importante é você se deixar levar, libertar-se  e fazendeo aquilo que o seu coração diz baixinho em seu ouvido_____'isso é viver!' O Tempo absorve a energia  que emana das nossas risadas dos nossos sonhos dos nossos planos. O Tempo adormece a criança que existe em nós, então, o melhor a fazer é antecipar-se ao Tempo nessa travessia e mostrar os pés descalços os cabelos soltos_____ como fios de Ariadne prontos a serem 'emaranhados' na urdidura de algum carinho. E não deixar que a alegria de viver seja suplantada por duvidas, medos  e ansiedades. A vida é uma grande jornada e o começo é aqui. Sinta o vento...Eu me sinta no mar, no céu no sol, nas estrelas. Acompanhe a musica... Me sinta no vento, me sinta na liberdade de voar. Eu sou o vento______eu sou a musica!!



foto: Luciah Lopez ( álbum família)


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VIBRAÇÕES HUMANAS




VIBRAÇÕES HUMANAS


Havia um silêncio.

Só foi quebrado pelas sirenes dos carros da polícia e do falatório dos curiosos se aglomerando cada vez mais perto para poder ver melhor.
Havia também um cheiro forte_________um cheiro que nós, os ainda vivos não conseguimos sentir sem que venha acompanhado pela careta de nojo ou asco. O cheiro da morte. O cheiro que mostra o desequilíbrio entre a vida e a morte e que revela o nosso mais profundo medo.
A moça estava lá. Deitada no chão, com o mato a sua volta todo pisoteado. A roupa tinha sido rasgada e atirada longe, ainda estava pendurada nos galhos mais fortes. Suas pernas afastadas revelando o negrume das suas partes íntimas incineradas, calcinadas pelo fogo ainda revelavam os pedaços da estopa que fora embebida em gasolina e depois colocada em seus genitais para que fossem queimados numa tentativa cruel e insana de tentar remover qualquer prova de violência sexual. Suas mãos crispadas ainda seguravam um pouco de terra e grama (talvez uma última tentativa de manter-se viva). Os seus mamilos foram extirpados a dentadas e cuspidos ao lado do corpo. Sua pele fora retalhada por alguns instrumento cortante exibia a carne e o sangue grudado nas bordas das feridas. A tortura durou algumas horas, eram quatro os seus carrascos. Seus gritos chegaram a ser ouvidos  por moradores de perto mas, na duvida, resolveram se aquietar em suas camas e dormir o sono dos 'justos' até que finalmente ouviram o tiro e silêncio de morte encobriu a volta dos quarto anjos da morte para a claridade da luz dos postes.
A moça ficou lá. Quieta. Inerte. Sem vida. Os ratos do campo e os pássaros vieram visitar os despojos - talvez tenham se alimentado do sangue e da carne exposta. Talvez tenham ficado em silêncio, pois, destes ciclos perversos só fazem parte os homens e suas aflições puramente humanas. A moça foi levada e nos prantos derramados foram validados todos os votos que um dia a mulher que a trouxe ao mundo, fez. Os dias se foram e o mato voltou acrescer onde foi queimado e pisoteado, só a moça não voltou a sorrir.

+Daniele da Silva Santos, 24 anos



VIDA CONTRADITÓRIA



Acordei!
A vida caminha tão devagar e vagar pela vida desviando-me das pedras e das perdas____________onde vou chegar!?O mundo é feito de pedras, aço e muitas perdas ( !) e para sobreviver nesse emaranhado de emoções é preciso muita coragem na verdade a vida é foda!E ninguém se importa com o próximo(tudo é embromação, um blá blá blá sem sentido)só para sair bonito na foto!Se quero alguma coisa_______tem que serna raça, na garra pois nada vem de graça só pelo brilho do olhar cor de mel.Tem tanta gente ao meu lado e ainda assim, eu estou sozinha. A mentira é uma porca gordas e alimentando às nossas custas sempre ali___ próxima, bem próxima. Até a fumaça te ofusca e a cerveja está quente e batata esta murcha e sem sal!!!





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

HELENA MEIRELLES - O SOM DA VIOLA


HELENA MEIRELLES - O SOM DA VIOLA

Helena Meirelles nasceu no Mato Grosso do Sul na então fazenda Jararaca entre Campo Grande e o Porto 15 no Rio Paraná, divisa com estado de São Paulo. Filha de Ovídio Pereira da Silva, um boiadeiro paraguaio e Ramona Vaz Meirelles. Teve uma vida simples e sem instrução alguma. Viveu numa época de muitos preconceitos contra a mulher.

Sempre fascinada pelo som da viola caipira que ouvia ao passarem as comitivas onde os peões mesclavam o som das cordas com o som choroso dos berrantes. Menina ainda Helena resolve aprender a tocar viola. Passa horas atenta aos violeiros e aprende a tocar sozinha. Aos 17 anos, por imposição do pai casa-se para logo abandonar o marido e juntar-se a um boiadeiro paraguaio que tocava violão e violino. Sua impetuosidade a faz deixar também o companheiro e segue sua vida tocando sua viola onde houvesse gente para ouvi-la. Percorre muitas cidadezinha situadas as margens das estradas boiadeiras sempre com a viola nas mãos. Casa-se pela segunda vez. Nos momentos de crise, “se vira” como prostituta, lavadeira, cozinheira, faz rezas e também é parteira trazendo ao mundo muitas crianças, amparando-as com as mesmas mãos rudes que dedilha as cordas criando belas modas de viola com o sotaque sertanejo e forte do folclore indígena.

A vida desregrada, as farras e a bebida lhe são cruéis.Com a pele enrugada e uma magreza acentuada, Helena segue tocando, materializando sua musica de raiz sob forte influência do ritmo paraguaio, entre eles o Chamamé, Rasqueado e Polca. É reconhecida pelos sul-mato-grossenses como “expressão das raízes e da cultura da região”. A aparência frágil contrasta com a mulher calada que passa horas tocando para prostitutas, boiadeiros e gente que chega aos vilarejos enquanto amamenta um dos muitos filhos por detrás da viola. Nestas andanças entra o terceiro marido com quem vive a trinta e cinco anos. Teve onze filhos e reluta em deixar a vida boemia até finalmente desaparece por mais de trinta anos e reaparece doente e socorrida pela irmã é levada para São Paulo para tratamento médico. Foi através de Inezita Barroso que seu trabalho começou a ser divulgado fora do eixo Mato Grosso/sul de São Paulo. Helena apresenta-se no programa Mutirão, na radio USP de São Paulo e logo a seguir no programa Viola, minha viola, na TV Clora. É finalmente descoberta pela mídia através de um sobrinho que grava suas modas de viola e envia para uma revista americana especializada no gênero, a “Guitar Player”.

Aos 67 anos Helena Meirelles sobe num palco pela primeira vez gravando seus discos logo em seguida. Em 1993 a mesma revista Guitar Player elege a violeira como Instrumentista Revelação do Ano com o Prêmio Spotling de 1993 por sua desenvoltura nas violas de 6, 8, 10 e 12 cordas, chegando a ser comparada a guitarristas famosos como Eric Clapton e Keith Richards (Rolling Stonnes).Desde então passou a ser valorizada por grandes nomes da música sertaneja de raiz e chegando a tocar ao lado de Tonico e Tinoco, Almir Satter e outros. Em 2006 a gaúcha Dainara Toffoli dirige o filme-documentário sobre a fantástica figura de Helena Meirelles – Dona Helena apresentado na TV Cultura. A base da narrativa está por assim dizer, nas entrevistas, nos depoimentos de pessoas, trechos de shows, e são apenas elementos figurativos nesta história. “ Uma seqüência onde aparece uma menina arrastando um violão sobre a terra seca, cria uma visão poética acentuando o simbolismo em questão” uma imagem pertinente e um personagem extremanete riso nos faz pensar se a retórica é verdeira. Mas levando-se em conta as palavras do diretor da revista Guitar Player"Quando morrer, vou saber se estou entrando no céu se ouvir Jimi Hendrix ou Helena Meirelles” tudo torna-se válido enquanto se puder ouvir a música verdadeira. A Grande Dama da Viola morre aos 81 anos pouco antes de ser exibido o documentário.

Eu só queria ser eu! Dona do meu nariz e da minha direção.”
Helena Meirelles – 13/08/1924 -29/09/2005

Informações retiradas de Sites da Internet.