Amanhã a cidade vai acordar antes do sol. Não vou gritar e nem espernear debaixo das cobertas, nem tampouco arrancar os meus cabelos ou queimar incenso de benjoim. Todos os pesares serão como olhos fitos no espelho e com a mesma a estranheza de sempre ele beijará a minha mão e, cada qual saberá dos ferimentos que carrega na alma. Largas esperas que partem vidraças, afastarão as tempestades carregadas de veneno e fel e no matraquear das velhas torpes as espinhas de peixe darão lugar aos dentes apodrecidos. O velho relógio da torre girando os ponteiros marcará o nosso tempo, e a estrela que alumia o dia estará nas minhas mãos.
terça-feira, 28 de maio de 2019
HIBRIDA
Os espinhos perfuraram os meus olhos e a loucura chorou a minha dor. Há um longo caminho a ser percorrido entre o nascer e o pôr do sol, e o meu ser absoluto de vida, se move entre as pedras de fogo porque é preciso exsudar a alma que não me pertence. Haverá um profundo silêncio e o céu em purpura se tornará, e no meu coração o eco das palavras ditas, dos segredos das risadas das promessas e dos sussurros, serão calmaria. E o amor será um renascer na alquimia da pele.
domingo, 26 de maio de 2019
RAZÃO
Preferível é que tudo seja assim, Que a sua liberdade leve o seu coração num voo para outras galáxias e o seu poema seja eterno e a vida, apesar de fria, não mais causará danos. Há um céu azul e nuvens brancas, destas que se pode ler como se fossem poesias para a derradeira musa.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
PRESSÁGIOS
Risos transbordam e os pés estão cansados
devo chegar mais tarde
não me espere na lua de outono
antes____ vou fumar um cigarro
Me espere na sua primavera
LÍRICAS
Ontem eu era chão virado.
Era um grão de poeira na dança do vento.
Era verbo sem princípio na ressonância da vida
na cor e na dor de todas as sementes
prontas para germinar um novo evangelho.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
MOEDAS
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
VIVÊNCIAS
durante algum tempo permanecemos calados - eu não conseguia desviar o olhar, afastar-me daqueles olhos castanhos, rasgados, inquietos e, ao mesmo tempo tão meigos quanto os olhos de um menino. num instante, nossas vivências se tornaram una - desfez-se toda e qualquer duvida - mesmo as palavras se tornaram desnecessárias e, a linguagem da pele traduziu todos os sentimentos. o que era imaginário, pôde se fazer real e o tempo sorriu na tarde modorrenta enquanto eu me despia de mim mesma, para ser só dele.
imagem: Balanço
aquarela sobre papel Canson
Luciah Lopez
Luciah Lopez
Assinar:
Postagens (Atom)





