domingo, 29 de abril de 2018

PRIMEIRA


Quando eu me sentei no topo do mundo, imediatamente alguém feito um louco alucinado me perguntou aos gritos: cadê as suas velhas tristezas? Mas quem ouve, escuta atento; e já sabendo de todas as condenações me coloquei no desvio do apedrejamento. Cá em cima, eu cismando com meus botões, ignorei as baratas revoltosas em sua cegueira, celebrando o sensacionalismo torpe que não se ler em livros pois os diamantes são para o cérebro e não para as más línguas. E quando a noite não se fez de rogada escancarando o céu da boca, o dia começou a pintar motivos decorativos na linha dos ciprestes e a ocupação das Horas pareceu-me resplandecer. Desse modo, fui-me à contemplação e a olhar a rua e seus esquálidos transeuntes. O casario tomando forma no pratinho de porcelana - era o retrato do que eu via. A Vida e as migalhas não menos valiosas sendo varridas pelo pincel carregado de tintas. E neste ínterim, as  bocas mudas  seguem preenchendo a superfície da Terra na tentativa vã de intensificar o simples diante do avantajado. Por fim, uma criança vestida com roupas puídas solta o pássaro e orienta o olhar que se encontra com o meu.





terça-feira, 10 de abril de 2018

GRATIDÃO


Eu gostaria de agradecer inúmeras vezes à Dra. Elizabeth Misciasci - Presidente da ALB/São Paulo e ao Vice-presidente e Diretor Fundador do Grupo A Casa da Poesia, Renato Baptista pela indicação do meu nome para esta homenagem. Me sinto honrada. Vale lembrar Albert Clarke " Nas nossas vidas diárias, devemos ver que não é a felicidade que nos faz agradecidos, mas a gratidão é que nos faz felizes."

Luciah Lopez


quinta-feira, 5 de abril de 2018

SOMBREADO


Lamento que o pássaro dos sonhos não tenha conseguido chegar a tempo. E sob a luz difusa, no sombreado do quarto, seja o meu sorriso a única saudação que os meus olhos consigam ver no reflexo do vidro da janela. Chego a estender a mão, mas os olhos reconhecem o silêncio e no peito o solavanco cálido e espontâneo reafirma o que Mayakowsky salientou: "o coração tem moradia certa" - diante do fato, segue a procissão noite à dentro.


para L.A.M



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

BASTAVA-ME SABER



Diante de mim - a Vida! E eu, feliz por saber que seria a próxima a beber da água batismal e respirar o que conhecemos como eternidade. Fosse o que fosse, eu tinha a permissão para apontar o dedo acima da linha do horizonte e desenhar o portal para a terra prometida - onde aprazíveis alamedas recendendo a alfazema me manteriam viva. Eu nem tinha sofrido ainda e expressava alegria ao invés de sonhos paralelos. Então ele chegou: riscou o céu com todos os signos e esboçou um sorriso de muitos ecos e já não estávamos sós, havia a presença de todas as cores  e completamente embriagados de luz, olhou-me como se fosse eu  a primeira mulher desenhada sobre a sua pele nua de Vida.

para L.A.M.




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

RENDAS, FLORES, POEMAS & CANÇÕES



Se eu esperasse rendas e flores, poemas e canções, talvez fosse mais fácil deixar o momento e seguir em frente sem olhar para trás. Mas não é assim: eu não espero nada disso.O que eu quero dessa Vida é  respeito e o direito de traçar metas e objetivos mantendo  a dignidade que assumi ao escrever pela primeira vez o meu nome. Quero caminhar um caminho limpo, sondar as minhas profundezas e sabê-las à luz da consciência, para que eu possa compreender atitudes e comportamentos sem distorcer a realidade. Quero a intimidade da minha alma na harmonia com a criação gerando a igualdade cósmica entre todos nós. Não espero rendas e nem flores porque nada é estático -, nós somos parte de tudo e os conceitos se renovam a cada dia e não estamos isentos dessa significância. Eu sei que alguns anos se passaram e outros tantos se passarão até que a história se torne real na verdade escrita de próprio punho e a minha imagem  incline-se  sobre a minha sombra beijando a si mesma.



DEZOITO E TRINTA


Havia dois pequenos detalhes e Alice sabia não ser possível, que a tarde obscurecida pudesse lhe trazer satisfação maior que olhar através da janela e ver o mundo paralelo. O velho relógio manipulava as horas adiantando ou atrasando o Tempo a seu bel-prazer enquanto as folhas amarelecidas se desprendiam das árvores no sopro suave do vento. Mas um espectro de demência fazia ver a negatividade das pessoas e o infortúnio à perguntar-lhe: será?! Às vezes é melhor mudar a posição da cadeira e aproximar-se do vidro encardido e absorver o conteúdo do mundo verdadeiro à viver excepcionalmente presa num papel feito as letras de velhos poemas. Um carro passa tremelicando pela rua de paralelepípedos e acontece a salvação de Alice...



foto LL

domingo, 21 de janeiro de 2018

Crossroad Blues

Se um milagre me salvasse, decerto seria véspera do apocalipse. Mas quem mandou sonhar assim?! Vai Alice, vai ser trouxa na vida! De que adianta as mãos espalmadas no quadril e um bico retorcido nos lábios se a unica certeza que tem, é estar presa na teia. Fodeu geral! - Alice e seus pensamentos como as encruzilhadas azuis: assustadoramente hilários! Na infância brincava de 'esperar o futuro' e uma vez no tal futuro/presente, percebe que tudo não passa de simulacros até ela mesma. - Sim, eu reconheço que estou paralisada e a espera do verdugo é um orgasmo que nunca vem. Excepcionalmente as migalhas chegam e eu não as quero mais porque são carícias de desespero quando na verdade eu quero uma barra de chocolate e na vitrola um vinil de Robert Johnson... 

foto : LL