quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SONRISAL E HALL'S



SONRISAL E HALL'S


Não dá para explicar o que é felicidade, refiro-me a essa sensação inebriante que sentimos após o impacto de uma “boa noticia”, uma surpresa agradável aos olhos, essa destilação de carinho.
Ficamos avessos a tudo, só o “alvo” de nossa felicidade é importante e então vem a tal sensação, parece que engolimos um Sonrisal inteiro e um Hall´s extra forte!! O peito quase explode, ferve, esfria, esquenta, esfria de novo... Um calor latejante em algumas partes do corpo e o famoso sorriso de quem esta apaixonada. Não... É mais que apaixonada. Amando, querendo, desejando, respirando, decifrando a pessoa  amada.
É assim, quero você, suas mãos, suas pernas, sua boca... Você todo, com seu alfabeto, com seus sonhos e tudo que faz parte.
Se você me perguntar agora, como isso aconteceu, eu não saberia responder... sei apenas que você “ligou” meus neurônios no instante primeiro em que minha alma passeou pelo teu jardim de rosas azuis e borboletas vocálicas e em estado de êxtase roubei teu mais lindo por do sol, recortei seu rosto e coloquei num, porta retratos, junto ao meu...coisa de criança?! Rsrsrs - Até pode ser, mas e daí?! Sou feliz assim, te quero assim, te quero de manhã, ao meio dia, a meia noite, a toda hora!!!!
Ah, mas eu só queria te dizer, agora, entre um suspiro e um sorriso, dizer obrigada por essa felicidade que me embriaga na hora de meu trabalho e me deixa nas nuvens, com essa cara de lua cheia, cheia de amor, vazando, transbordando amor, todo... todinho só para você.
Queria dar um beijo na sua boca, um não... vários, muitos, muitos,muitos...quero você!!!



O QUE É REAL?!



O QUE É REAL?!


Hoje tive um sonho... 
Eram pessoas com máscaras, destas máscaras venezianas. Talvez um baile não sei, mas passavam e esbarravam em mim vestidas de diabo... Tive medo. Corri... caí!
Caí aos pés de alguém. Senti meu corpo em calafrios quando mãos fortes me ajudaram a me levantar. Tentei ver o rosto, mas a máscara não me permitia, então me fixei nos olhos...Era você!!!Tinhas também uma máscara a cobrir-lhe o rosto. Tentei retirar, mas surgiam outra e outra e outra... Mas seus olhos me fitavam e sua voz me dizia “estou aqui”.
Meu olfato e ouvidos e demais sentidos me fazem entregar-lhe meu ser - corpo e alma rendidos sem inútil reação. És a ilusão tão bela e mascarada, tua carícia é uma aragem leve que de passagem me arrebata e aprisiona.
Escancaro sorrindo toda minha fantasia e você corre por minhas veias em minhas entranhas a diluir-se todo num oceano que nem sei explicar - apenas sentir e depois purificar meu corpo neste prazer que de ti, me foi dado inesperadamente como um sol fecundo.
Terei que acordar um dia...
...mas a vida e o sonho são iguais na febre desta loucura! 



terça-feira, 13 de novembro de 2012

COMPLEXIDADE NO REFERVER DAS LÁGRIMAS



Complexidade no Referver das Lágrimas 

Tantos sóis e tantas luas respingam deste céu sem cor deixando a complexidade do pensamento na calada boca de cada virgem. Tudo é simbolismo e sombras enquanto meus pés caminham por estas terras coloridas de areias mornas, fazendo de cada despertar apenas mais um dia. O que mais me toma – o que me faz inerte [morte?!] É a luz dos mundos que ainda não conheço. Escura e sombria é a noite que reveste a realidade mais fria que a dor [horror!] de me saber assim. Silenciosa ante o desamor – mágoas que porventura gritem neste referver das lágrimas de um chorar transitório e leve – mas o que importa, se essa dor é a dor que existe em mim?!...




SIMETRIA


SIMETRIA

Foi apenas um momento. Apenas metade das ondas, metade de um mar onde sequer se via a profundeza das águas.
Então teceu teias de tantas dores, pariu lágrimas brancas de sal e sulcou as areias de magia branca.
Riscou um nome na linha que cruza meu destino e coloriu o meu olhar. Meu místico olhar de água viva, serpente/sereia, ventre de borboleta que assim tão leve passa e não arranha...
E o seu sorriso aberto, certeiro e livre de qualquer cansaço abraçou a aventura no sol poente e expalhou o vento em cada momento desta tarde onde tranquilo e suave, passeou na minha pele.
E sem atrapalhar meus pensamentos, me embriagou com seus instantes.

UM BREVE MOMENTO ENTRE A SOMBRA E O VERMELHO




Você devia ter olhado no fundo dos meus olhos enquanto eu penteava os meus cabelos (vermelhos) e percebia com estranheza a ausência das horas. Não havia nada que pudesse mostrar que os minutos escorriam do relógio – aliás, não havia relógio. Havia somente a ausência do tempo e as suas roupas brancas jogadas pelo chão. A descoberta do seu olhar parado sobre a sombra do meu corpo projetada na parede branca e o cheiro das flores pairando no ar contrastando com a garrafa de vinho (vazia) era a mais inebriante das sensações e a luz fosca das velas  iluminando os meus cabelos vermelhos de uma maneira ironicamente colorida "casavam" este momento. Sinceramente eu te digo que não consigo entender este seu olhar parado sobre mim e minhas formas enquanto minha sombra ensaia uma dança de sedução – ah, eu vou te seduzir no negrume da minha sombra entre a luz das velas e as flores espalhadas pelo chão.Em cada passo meus pés sentem o chão e as pétalas – texturas e ternuras envolvendo e ligando num gesto compreensível de amor enquanto eu te seguro e percorro o seu rosto delimitando o seu sorriso, suas mãos passeiam no vermelho fogo dos meus cabelos abrindo um caminho para seus lábios simbolicamente possuírem a minha nuca enquanto meus pés sentem a maciez da sua pele. Existem momentos eternos – e neste mundo das estatísticas, posso afirmar que agora sou possuidora de um.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

FLAGRANTES DA VIDA REAL



FLAGRANTES DA VIDA REAL


Na esquina onde me sentei para olhar o mundo, passa um gato faminto, um cachorro sarnento e um moleque perebento. Um balão de gás sobe ao céu enquanto uma boca se arreganha e chora um choro irritante de vogais nasaladas. A esquina se torce em cólicas – menstruais?!  Cólica também sente o travesti caricato que desceu do ônibus vindo do subúrbio e vai fazer ponto em frente ao Passeio Público junto com as “putas pobres” que cobram o “trabalho” em VT ou VR. A esquina sorri quando um pombo lança um “míssil” no ombro de mais desavisado que caminha pela calçada buscando a sobra das árvores. O Homem Nu olha de soslaio quando a ninfeta passa retocando os lábios com “glóss” purpurinado. O fotografo (retratista oficial do Passeio), tem um novo cavalinho, atrelado a uma charretinha e atende a mulher gorda, vestida de verde limão e  usando sapatilhas de plástico e batom rosa pink que trouxe a sua incontável prole de carinhas iguais, para dar comida aos macacos e tirar foto para mandar aos avós. A pequena charrete fica com as rodinhas “arriadas” tamanho é o peso dos risonhos "carinhas de lua" No ar, o cheiro de pipoca com bacon gorduroso, atiça até mesmo os pombos que se juntam aos bandos esperando pelos grãos de milho que não estouraram e serão jogados ainda quentes, quase atingindo os pés dos visitantes. Um grupo de “manos” vestindo roupas cor de rosa e tênis com cadarços gigantescos, se sentam na Ponte de Pedra e tomam “tubão” junto com as “manas” com seus pompons brancos nos cabelos e falam um idioma ininteligível.
Um bêbado ainda ressaqueado caminha pela grama procurando um lugar tranqüilo para dormir. Do lado de fora, além das grades e do portal centenário, um pastor tenta inutilmente chamar atenção dos transeuntes para a pregação das 18:00 hrs.
E lá no "Pasquale", o chope geladinho convida...mas todas as mesas estão ocupadas. Melhor mesmo é ficar só olhando a “tela” dantesca e ouvir os gemidos da esquina se dobrando de cólica.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O HOMEM SÓ


O HOMEM SÓ

Pelo meio fio o homem arrasta os seus sapatos gastos. Parece contar mentalmente - um sim, um não, um sim, um não - os seus tristes passos. Caminha entre a tristeza e a solidão amarga de quem não possui ideal e vive um dia de cada vez. Anda na ponta dos pés e na ponta do mundo gira a vida de acordo com o vento - norte ou sul, tanto faz. A ordem dos instantes e os momentos se acabam na próxima esquina ou no próximo bar?! Sabe disso. Até ousa um pensamento, mas acaba engasgado no desatino que antecede a embriaguez. Este tempo é seu -, é nada mais que um esquadrinhar de horas convidando-o, a mais um gole. Será este o prazer do infinito descanso?! Ele queria fugir. Fugir com a bailarina do circo e beijar-lhe a boca vermelha apenas por um segundo [perpétuo?], lamentável é o turbilhão de sonhos que ficaram para trás, onde as suas mãos jogaram a última garrafa vazia, de uma bebida barata. O circo se foi. A bailarina coberta de purpurina também se foi. Não houve o beijo. Não houve nada. Entediado, escuta os latidos do vira lata sarnento que o acompanha  lambendo-lhe as mágoas. Brinca com ele. 'Sancho' -, é assim que o chama desde que se tornaram amigos de caminhadas, amigos de ruas e calçadas. São figuras quixotescas-, o homem esmolambado e seu fiel escudeiro sarnento, mas feliz enquanto sonha odores e carinhos. O homem olha seu olhar sobre o mundo e sorri. É assim mesmo - "tudo um imenso nada"! Sente um vazio no estomago igual ao das Carmelitas Descalças que jejuam e o fazem pela fé. Fé em quê?! Seria nestas noites frias que se avizinham das cegas janelas e  não atravessam as casas onde ele não pode se abrigar com seu cão sarnento?! Seria Fé nestas portas pesadas dos templos e igrejas sempre fechadas ou nas palavras espremidas entre dentes e bigodes aparados e bocas de riso amarelo?! Não, ele não tem fé, tem fome! Uma fome desencontrada, melancólica e dolorida. Tem fome de vida, tem fome de pão, fome de 'pinga', tem fome de ser gente. Mas ele sabe que é melhor não pensar e manter olhar entre o o meio fio e o asfalto e brincar com os dois. Pisar em falso, ora num ora noutro. E pensando nisso, arruma a touca puída e o cachecol no pescoço. Afaga a cabeça do cão e se vai pisando o meio fio - um sim, um não, um sim, um não... Tenho fome, não tenho. Sou gente, não sou...