segunda-feira, 12 de novembro de 2012

FLAGRANTES DA VIDA REAL



FLAGRANTES DA VIDA REAL


Na esquina onde me sentei para olhar o mundo, passa um gato faminto, um cachorro sarnento e um moleque perebento. Um balão de gás sobe ao céu enquanto uma boca se arreganha e chora um choro irritante de vogais nasaladas.

A esquina se torce em cólicas – menstruais?! 
Cólica também sente o travesti caricato que desce do ônibus vindo do subúrbio e vem fazer ponto em frente ao Passeio Público junto com as “putas pobres” que cobram o “trabalho” em VT ou VR.
A esquina sorri quando um pombo lança um “míssil” no ombro de mais desavisado que caminha na sobra das árvores e o Homem Nu olha de soslaio quando a ninfeta passa retocando o “glóss” purpurinado.
O fotografo (retratista oficial do Passeio), tem um novo cavalinho, atrelado a uma charretinha e atende a mulher gorda usando sapatilhas de plástico e batom rosa pink que traz sua incontável prole de carinhas iguais, para dar comida aos macacos e tirar foto para mandar aos avós. A charretinha fica com as rodinhas “arriadas”.
No ar, o cheiro de pipoca com bacon gorduroso, atiça os pombos que se juntam aos bandos esperando pelos grãos de milho que não estouraram e serão jogados ainda quentes, quase nos pés dos visitantes.Um grupo de “manos” vestindo roupas cor de rosa e tênis com cadarços gigantescos, senta-se na Ponte de Pedra e tomam “tubão” junto com as “manas” com seus pompons brancos nos cabelos.
Um bêbado ainda ressaqueado caminha pela grama procurando um lugar tranqüilo para dormir. E do lado de fora, além das grades e do portal centenário, um pastor tenta inutilmente chamar atenção dos transeuntes para a pregação das 18:00 hrs.
E lá no "Pasquale", o chope geladinho convida...mas todas as mesas estão ocupadas. Melhor mesmo é ficar só olhando a “tela” dantesca e ouvir os gemidos da esquina se dobrando de cólica.



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