terça-feira, 10 de maio de 2016

ANÁTEMA


Anátema

_____a noite já havia caído entrelaçando os primeiros segredos a emergir -, a princípio não consegui esvaziar a mente de toda ansiedade e defronte ao espelho, minha imagem me pareceu tão brilhante e ao mesmo tempo tão frágil. A janela aberta, me obrigava à noite cada vez mais densa, como a capa aveludada de um livro que me propus ler. Logo a chuva se aproximou intensa e contínua na umidade mística da antiguidade que carrega em seu bojo d'água e o momento se desvaneceu. As criaturas da noite, fixas em mim se rebelaram ganhando asas - voaram através do impossível, restando ao meu olhar a imagem no espelho conjurando céu e inferno e a busca pelo sentido da vida eterna. E aquela música fazia girar o cata-vento da memória enquanto a noite continuava caminhando convulsa, apoderando-se do que eu era  na permanência de todos os desejos vis. A certeza eriçada me fazia ver com sobressalto, que a noite é a metade de mim e a outra metade é você.



imagem: Roberto Ferri


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