domingo, 8 de maio de 2016

PAPIRO

Papiro

_______  estranho e inquieto é objetivo Tempo, traz as lembranças e o amor desenhados na pele alva dos papiros. E no retorno à claridade dos dias, insisto em perguntar: - De onde eu o conheço?! Não há caminhos entre os veios da memória, que eu não os tenha percorrido, sem contudo, encontrá-lo. Haveria, talvez, um outro caminho que em algum ponto tenha se cruzado com o meu e assim,deixado as suas marcas indeléveis para que viesse a descobri-las?! Os meus ouvidos são acostumados às suas palavras e a sua risada faz eco no meu coração. E as pegadas que encontrei marcadas no pó da eternidade servem de molde aos seus pés e as suas mãos se encaixam nas minhas mãos como se o fossem correspondentes pares. Minha sombra reconhece a sua e na minha boca -, a sede é da água da sua boca. Os seus olhos enfeitiçam o meu olhar tal qual nachsh enfeita o olhar do pássaro. Minha alma se perdeu da sua alma e havia de sofrer o medo da solidão absoluta - a noite sem lua e nem estrelas. E todas as manifestações de tristeza se passaram por mim e antes que me pudessem me consumir, me sentei à sombra da grande árvore e me perguntei: - De onde eu o conheço?!  E a serenidade da resposta, foi como o perfume dos narcisos, que à beira d'água desabrocham derramando seu olor e  embriagando nosso olfato, nos dando a salvação de sermos dois em um.

pensando em Odur 


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